A partir da zero hora de domingo os usuários do transporte coletivo de Londrina vão pagar R$ 1,35 pelo valor da passagem. Após quase um mês analisando os custos das empresas, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) autorizou aumento em 17,4% sob o atual valor praticado de R$ 1,15. Segundo o presidente da companhia, Wilson Sella, a planilha de custos elaborada pelos técnicos nesse período apontou que o valor estava defasado. Os principais fatores que levaram ao aumento foram a alta do óleo diesel, que subiu 57% nesse período, e o reajuste em 7% concedido aos funcionários. O último aumento aconteceu em junho do ano passado, quando a tarifa passou de R$ 1 para R$ 1,15.
Em abril deste ano, o município autorizou que o ISS fosse reduzido de 5% para 1% para evitar um aumento da tarifa na época. Sella informou que há um projeto que prevê aumento no Imposto Sobre Serviço (ISS) pago pelas empresas de 1% para 2% em 2003.
As empresas reivindicavam tarifa de R$ 1,45 e não gostaram do valor estipulado pela CMTU. Para o gerente da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo de Mendonça, esse valor ainda pode ser alterado: ''Se a tarifa do sistema deve ser R$ 1,45, R$ 1,35 não vai resolver o nosso problema. Vou analisar a planilha feita pela CMTU e há a possibilidade de pedir novo aumento''. Ele afirmou que acha que a CMTU chegou a um valor próximo de R$ 1,45 na planilha mas não quis dar esse valor ''por questões políticas e sociais''. Mendonça contabilizou que nos 18 meses sem reajuste a empresa perdeu R$ 3,6 milhões e que a TCGL precisa de caixa para investir na frota de veículos.''Temos que comprar 68 veículos novos para substituir os que estão com mais de 10 anos de uso'', exemplificou.
O diretor administrativo da Francovig, Francisco Henrique Francovig, disse, através da assessoria de imprensa, que o valor estabelecido pela CMTU pode comprometer a capacidade de investimento da empresa. Na opinião dele, seria melhor que os aumentos acontecessem em períodos mais curtos: ''esses longos períodos sem reajuste causam grande impacto na população''. A empresa vem mantendo a média de renovar 10% da frota a cada ano, mas ainda não sabe como ficará em 2003.
Se de um lado as empresas não gostaram do reajuste autorizado, do outro os usuários também reclamaram. A estudante Gisele Hazi, 18 anos, pensou nos cortes que terá que fazer, ''tem que diminuir em tudo, em casa, na alimentação, no lazer''. A auxiliar administrativa Fernanda Golono, de 22 anos, disse que o aumento prejudica muito: ''vão descontar ainda mais do meu salário'', lembrou. O cortador de tecidos Vilson Marques Rodrigues, de 31 anos, reclamou que só o salário não sobe, ''a cada dia as coisas vão subindo e prejudica a gente''.

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