Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
As empresas Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) e Francovig Transportes Coletivos protocolaram ontem na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) pedido de reajuste da tarifa. As empresas encaminharam um estudo elaborado pela Engenharia de Tráfego de São Paulo (IPK) que aponta uma defasagem de 40% no valor atual da tarifa, que é de R$ 0,80. Conforme a análise apresentada, o usuário deveria estar pagando R$ 1,12 pelo serviço.
As operadoras do transporte coletivo alegam que essa consultoria não incluiu o último aumento no preço do óleo diesel, ocorrido em sete de agosto. Segundo o estudo da IPK, a tarifa de R$ 0,80 já era insuficiente quando foi autorizada em 10 de janeiro deste ano. O diesel, indica o estudo, já acumula um reajuste de 59% neste ano.
O diretor-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, disse ontem que ainda não tinha conhecimento da solicitação das empresas. ‘‘Vamos analisar com carinho esse pedido, motivos para um reajuste existem’’, afirmou. Técnicos da Companhia irão estudar os cálculos apresentados pela TCGL e Francovig.
Segundo o diretor da Grande Londrina, Paulo Bongiovanni, pneus, peças e outros insumos também estão provocando ‘‘violenta pressão’’ nos custos da passagem. Além disso, ele afirma que o sistema de transporte coletivo ganhou uma extensão de 100 mil quilômetros nos últimos meses. Mensalmente, a TCGL rodava 1,25 milhão de quilômetros, mas agora o percurso total é de 1,32 milhão de quilômetros.
Na avaliação de Bongiovanni, o número de total de passageiros transportados também sofreu uma redução média de 6,2% em relação ao ano passado, o que representa 330 mil pessoas. A crise econômica, o transporte clandestino de passageiros e a migração de passageiros para o automóvel seriam os principais fatores desse índice.
O diretor da TCGL diz ainda que a passagem em Londrina deve ser 20% mais cara que a de Curitiba. Lá, ele compara, os funcionários do setor recebem salários 18% inferiores, as empresas são isentas de Imposto Sobre Serviço (ISS) e pagam 3% de taxa de gerenciamento, quando a Comurb cobra 6%. Segundo Bongiovanni, o sistema em Curitiba não é totalmente integrado e só pagam meia passagem os estudantes com renda familiar abaixo de três salários mínimos. ‘‘Cabe à Comurb fazer sua planilha de custo mas o valor aceitável seria de R$ 1,10’’, adianta.
A assessoria de imprensa da Francovig ressaltou que os funcionários da empresa tiveram reajuste de 4,5% na última data-base, os pneus subiram 22% e as peças 18%. A Francovig informou ainda que possui cinco linhas distritais onde os ônibus circulam com o mesmo valor da tarifa urbana. Um pedido de revisão nos custos dessas linhas já havia sido enviado à Comurb.

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