Tarifa de energia revolta assentados
Os moradores do assentamento Jardim dos Campos - próximo ao Conjunto Aquiles Stenghel, na zona norte de Londrina - estão revoltados com as tarifas de energia elétrica cobradas pela Copel. Eles alegam aumento nas tarifas nos últimos meses e diferença nos valores cobrados.
Com os demonstrativos de contas do mês de abril de vários vizinhos nas mãos, a dona de casa Maria Doracy Peixoto tentou comprovar: segundo a fatura da Copel, ela deve R$ 30,33 pelo consumo de 173 Kwh, enquanto que a vizinha Selma Fortunado terá que pagar R$ 20,94 pelos mesmos 173 Kwh de energia consumida. Já a conta da vizinha Eliana Frankin, que consumiu 202 Kwh, é de R$ 26,03.
No assentamento, que nasceu de uma invasão de terreno público em julho de 1996, moram atualmente cerca de 250 famílias. A desempregada Lidinalva Romão afirmou que será obrigada a pedir para a Copel cortar o fornecimento de energia. Com o pequeno salário do meu marido Dirceu, que é servente de pedreiro, não conseguimos pagar, ressaltou Lidinalva, com a filha Renata, de 13 meses, no colo.
A dona de casa Rosinei de Lima explicou que o aumento nas tarifas deve-se ao fim do benefício que tinham como população considerada de baixa renda. Telefonei e estive pessoalmente na Copel para saber o motivo do aumento da minha conta. Os funcionários disseram, sem saber explicar direito o porquê, que não somos mais de baixa renda, que perdemos o antigo direito. Ela mostrou demonstrativos da Copel que comprovam o aumento de R$ 17,00 em dezembro, para R$ 28,06 este mês.
Maria Doracy Peixoto garante que não houve motivo para que a população do assentamento deixasse de ser considera como de baixa renda pela Copel. A maioria dos pais e mães de famílias daqui está desempregada e os salários dos que trabalham não subiu.
O superintendente regional da Copel em Londrina, Elson Spigolon, disse que as tarifas estão sem reajuste desde abril de 97. Por isso, a conta de energia elétrica não subiu para ninguém nestes dois anos sem um motivo concreto que é o aumento do consumo. Foi o que ocorreu com alguns moradores do Jardim dos Campos.
Segundo ele, parte das famílias do assentamento deixou de contar com o benefício da tarifa social porque não cumpre mais as características exigidas para ser considerada de baixa renda. As exigências são três: que o domicílio tenha menos de 50 metros quadrados de construção; que a renda familiar não ultrapasse 80% do salário mínimo por morador; e que o consumo de energia não seja superior a 160 kWh por mês.
Nos exemplos de contas mostrados pelas moradoras, podemos notar que todos consomem acima do estabelecido para os consumidores considerados de baixa renda, explicou o superintendente da Copel. De acordo com ele, o consumo destes moradores será observado durante os próximos três meses. Caso eles retornem a gastar menos do que o máximo permitido, poderão contar novamente com o benefício da tarifa social, que é 50% menor que a normal.Mário CesarDificuldadeLidinalva Romão, com a filha Renata, de 13 meses: sem renda para pagar luz, água e comprar comidaOsmani Costa





