Tarifa de caminhão pode subir 100%
Giovani Ferreira
Pelo menos 150 mil caminhões, aproximadamente 40% da frota do Estado, podem ter a tarifa de pedágio reajustada em 100%, mesmo percentual proposto pelo governo para os carros de passeio. A informação causou surpresa e indignação junto aos representantes da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), que ficaram sabendo da novidade na tarde de ontem, em uma reunião com o secretário de Estado dos Transportes, Heinz Herwig.
A proposta que o governo vinha discutindo, e chegou a acertar com as concessionárias que administram as rodovias do Anel de Integração, era de um reajuste de 80% para os caminhões. O que ainda não havia sido divulgado é que as categorias de caminhões teriam um reajuste diferenciado. Segundo Valmor Weiss, presidente da Fetranspar, o percentual de 80% seria somente para os caminhões de grande porte, com três e cinco eixos, que pesam acima de 14 toneladas.
Um dos agravantes nessa história, disse Weiss, é que os caminhões de pequeno porte, que seriam aqueles de dois eixos, do tipo 1113 da Mercedes Benz, transportam em sua maioria insumos agrícolas, encarecendo assim não somente o transporte, mas também o custo de produção da lavoura. Valmor Weiss acredita que pelo menos 75% dos insumos agrícolas no Paraná são transportados por caminhões pequenos.
Outra decepção da Fetranspar na reunião com Heinz Herwig foram os números do reajuste. Apesar de o governo estar acenando há algum tempo com o índice de 80%, as transportadoras esperavam ouvir do secretário que o governo estava disposto a negociar um reajuste para os caminhões em torno de 50%. Esse percentual, segundo Valmor Weiss, já havia sido sugerido em uma reunião com o governador Jaime Lerner, que teria visto a proposta com bons olhos.
Diante da situação constatada na reunião, a direção da Fetranspar encaminhou uma carta ao governador, lembrando a discussão sobre o índice de 50% e reafirmando que o setor não pode comportar um aumento nesse percentual. A questão não é pagar, a questão é poder pagar, disse Weiss, explicando que as transportadoras não podem arcar com os custos das obras previstas no contrato.
A frota de caminhões no Paraná, de acordo com números da Fetranspar, é de 320 mil veículos de empresas e outros 85 mil de motoristas autônomos. A Folha não conseguiu falar sobre o assunto com o secretário dos Transportes.





