O constrangimento tem tomado o lugar da descontração, cuidado com a saúde ou renovação das energias para um dia inteiro de trabalho. Invariavelmente, mulheres que aproveitam as horas matinais para caminhar à margem de um dos principais cartões postais de Londrina, o Lago Igapó 1 (Centro), têm sido surpreendidas por exibicionistas que aproveitam a falta de movimento no local para expor os órgãos
genitais.
  Andando pelas margens do Igapó não é difícil encontrar mulheres que já tenham sido surpreendidas por um dos exibicionistas. A dona-de-casa Mari Volpini, que há cerca de cinco anos costuma caminhar no local, diz que já não se assusta mais com os tarados. ‘‘Um dia eu vi dois deles em menos de dez minutos. No começo eu me assustava, saía correndo, ligava para polícia. Aí, eu vi que não mudava nada, então eu finjo que nem vejo mais’’, conta.
  A companheira de caminhada de Mari, Denise Volpini, diz que também já foi surpreendida diversas vezes. ‘‘Já vi vários aqui nesta parte do Igapó e também no Lago 2. Não sei se é uma pessoa só ou se são várias, mas ele passa um tempo sem aparecer, depois aparece várias vezes de novo’’, afirma.
  O funcionário da Escola Municipal de Dança – que fica próxima ao lago –, Roberto Cunha, já perdeu a conta de quantas mulheres procuram ajuda semanalmente. ‘‘Elas vêm aqui desesperadas. Infelizmente, eu já até me habituei’’, afirma, indignado.
  Segundo ele, os exibicionistas agem sempre da mesma maneira: ficam num local onde vêem a pista de caminhada mas não podem ser vistos à distância. Quando enxergam mulheres caminhando sozinhas eles aparecem com as calças abaixadas. ‘‘Às vezes eles só se mostram, às vezes se estimulam sexualmente, mas eu nunca vi abordarem ou chegarem perto delas’’, ressalta.
  Segundo Cunha, quando a polícia consegue flagrar algum dos exibicionistas, eles ficam sumidos por algum tempo. ‘‘O problema é que a gente chama a PM e eles não vêm ou demoram a aparecer. Eu já nem ligo mais’’, afirma.
  De acordo com o Relações Públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, tem sido feito um combate efetivo aos exibicionistas e o policiamento circula constantemente na região, em motocicletas. ‘‘O problema é que a pista é muito grande e nem sempre a pessoa que denuncia explica exatamente onde ocorreu o ato’’, justifica. A pista de caminhada do Igapó 1 tem 2 km de extensão. Ele orienta ainda que as vítimas não deixem de ligar para a polícia, pois para que se possam tomar as providências necessárias com o agressor é preciso que as mulheres registrem a denúncia.
  O tenente pede ainda que as mulheres evitem caminhar em locais e horários de risco, e que evitem dar margem para a ação deles, como usar roupas insinuantes. Ele explica que, se flagrados, os exibicionistas podem ser indiciados por ato obsceno, um crime considerado brando, mas previsto no Código Penal. ‘‘Se existe o registro da denúncia, o agressor é levado para a delegacia e fichado. Dependendo do histórico, ele pode ficar detido ou responder no Juizado Especial Criminal em liberdade.’’

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