Curitiba Cerca de 1,5 mil pessoas participaram ontem da missa de Corpus Christi e da procissão sobre um tapete colorido com mais de 600 metros no bairro do Umbará, periferia de Curitiba. A confecção do tapete começou por volta das 6h30 de ontem. No entanto, há mais de um mês e meio os moradores e colégios da região iniciaram o trabalho de desenhos e compra das tintas que seriam usadas para pintar a serragem. Além de tinta e serragem, são usadas flores (principalmente camélias), papel, cepilho, tampa de garrafa e cal.
A confecção do tapete foi divida em 15 trechos. Cada um deles, cuidado por uma comunidade diferente. O trecho próximo à Paróquia São Pedro do Umbará ficou sob a responsabilidade do Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli. A diretora Rosi Nichele contou que a tradição é antiga. Há 120 anos, quando os imigrantes italianos e poloneses se instalaram no bairro, as primeiras festas de Corpus Christi começaram. ''Os europeus trouxeram esta tradição para cá e que foi passada de pai para filho'', afirmou ela.
Mais de 50 crianças participaram da confecção do tapete, auxiliadas por adolescentes. Uma delas foi Ana Aline, 16. Sob o tema Evangelização, Ana mostrou a tradição para os meninos e meninas que seguiram moldes prontos para fazer os desenhos. ''É uma tradição que vai sobrevivendo a gerações. Ensinamos as crianças e elas irão ensinar seus filhos quando crescerem'', comentou a professora Lezir Pellanda Holaten, diretora auxiliar.
Diz a tradição que a presença de Jesus Cristo se torna real na eucaristia. Como apenas o sacerdote participa da eucaristia, ele é acompanhado pela multidão carregando um objeto denominado ''baldaquim''. ''É a presença de Jesus. É o único dia em que a Igreja sai com Cristo nas ruas. A passagem dele pelo tapete feito com trabalho pela comunidade é manifestação de respeito e carinho. É o senhor quem vai passado'', disse irmã Cristina.
A comunidade do Umbará aproveitou a solenidade para pedir aos fiéis que colocassem o nome num abaixo-assinado que será encaminhado ao governo do Estado. O abaixo-assinado pede que a patrulha escolar seja mantida na região. ''Isto é muito importante para a comunidade local'', contou o padre Virgílio.
Outras procissões ocorreram em Curitiba. Os mais tradicionais são nos bairros do Pinheirinho, Carmo e Boqueirão. Na Catedral Basílica, no Centro de Curitiba, também houve missa e procissão.

mockup