Tão vivas que encantam e assustam
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sexta-feira, 30 de março de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Rua XV de Novembro, no Centro da cidade, serviu de palco para os 15 artistas participantes da ''Mostra Cidade Viva'', que se revezaram também pelos corredores do Shopping Cidade. O céu azul e altas temperaturas registradas nos últimos dias só contribuíram para reunir um público, por vezes, fervoroso, para admirar a performance das estátuas vivas.
A capacidade de se manter imóvel combinado ao impecável figurino permitiu que alguns dos artistas praticamente se incorporassem à paisagem urbana. Como a Kari Kolorida, posicionada em frente a um chafariz e vestindo trajes na cor cinza. A mostra é um evento paralelo ao Festival de Teatro de Curitiba (FTC) e a primeira do gênero, no Brasil. ''A proposta é abranger esses artistas que ainda não tinham espaço no Brasil, mas que já participaram de festivais no Exterior, como os que acontecem na Argentina, Colômbia e Barcelona'', conta a coordenadora do evento, Sheylli Caleffi.
Movimentos lentos, aliás, lentíssimos são apresentados pelos artistas sempre que alguém deposita uma contribuição. ''O trabalho mais importante é a montagem do personagem, o esforço físico, a resistência, e principalmente a reação que as estátuas arrancam das pessoas. Alguns dos artistas estão sentindo muito calor, até pelas roupas que usam, mas relataram que é emocionante atuar na rua e manter contato com as pessoas'', disse Caleffi, informando que os artistas, selecionados no dia 15 de março, são da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Buenos Aires.
''Acho interessante a mostra porque assim as apresentações não ficam restritas às salas de teatro e também se aproximam da população. É uma encenação que não há fala, mas ao mesmo tempo comunica'', opinou o universitário Juliano Lamur, 19 anos. ''Atravessei a Rua XV fotografando cada um deles. Fiquei encantado. Só me assustei com a estátua viva que parece mais um demônio, toda preta. Era feia demais'', contou o corretor de imóveis paraibano Antônio Carlos Cavalcanti, 46 anos, que está em Curitiba a turismo.
''Acho que essas perfomances só abrilhantam ainda mais o festival'', acrescentou a missionária paraibana Renata de Lins Cavalcanti, 26 anos. Um dos artistas participantes da mostra é Rodolfo Fernandez, um peruano que acabou de vencer o festival da Argentina e que, em Curitiba, encarnou um soldado cujo tema é ''No Mais Guerra: Che Guevara''. Ainda no Calçadão da Rua XV, alguns dos que se apresentaram, anteontem, foram São Francisco de Assis, Anjos, Bruxa e Spinagon.
Hoje será divulgado no site www.shoppingcidade.net as três estátuas vivas finalistas que disputarão o prêmio de R$ 3 mil. A votação será on-line e também realizada pelo júri da mostra, que não estabeleceu critérios de avaliação. ''Observei a caracterização do personagem, a expressividade do artista, a interação com o público e a capacidade do artista de ficar imóvel, ou seja, o estatuísmo em si'', revelou o jornalista Rodrigo Juste Duarte, que é um dos cinco jurados. O anúncio do vencedor acontece amanhã, num programa de televisão em rede nacional.


