Silvana Leão
De Londrina
Duas crianças foram vítimas de acidentes domésticos anteontem em Londrina. Uma delas morreu e a outra está internada. O primeiro foi com um tanque de lavar roupa de concreto não fixado no chão, causando a morte de uma criança no início da noite. Ana Paula Jorge, de três anos, sofreu traumatismo craniano. O acidente aconteceu por volta das 19 horas no número 568 da Rua Colômbia, na Vila Brasil (área central), na casa de Edileuza da Cunha, vizinha da família Jorge.
‘‘Eu estava preparando leite para o meu filho de quatro anos, amiguinho da Ana Paula, quando ela entrou pela porta da frente. Passou por mim e foi para a área do fundo. Quando saí com o leite ela já estava no chão, com o tanque caído sobre ela’’, contou Edileuza, ainda muito abalada. Segundo ela, o tanque está solto há bastante tempo. ‘‘É tão pesado, não sei como uma criança tão pequenininha conseguiu derrubá-lo.’’ A dona de casa acredita que a garota pendurou-se nele, brincando.
Parentes da vítima contaram que como a ambulância demorava a chegar, os próprios pais a levaram para a Santa Casa, onde chegaram por volta das 20 horas, com Ana Paula já inconsciente. O registro do óbito foi feito às 20h45, dando como causa da morte uma parada cardiorrespiratória.
Ontem de manhã o tanque ainda encontrava-se sem fixação na casa de Edileuza da Cunha, apoiado sobre blocos de construção. A garota foi enterrada ontem às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.
O outro acidente feriu gravemente o garoto Matheus Silveira, de quatro anos, que mora na Avenida Inglaterra, Jardim Igapó (zona sul). Um armário caiu sobre o menino que sofreu traumatismos no crânio, abdômen e face. O menino foi encaminhado para a Santa Casa e de lá levado para o Hospital Infantil, onde chegou a permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Matheus não corria risco de vida.
Estatística da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgada em 1998, indica que 80% dos acidentes com crianças ocorrem em casa. No mesmo ambiente, é registrado um terço das mortes decorrentes de acidentes. A queda de tanques de lavar de roupa que se encontram soltos ou mal fixados está entre as principais causas dos acidentes, ao lado de vasilhas com água fervendo sobre o fogão, ferros de passar roupa ligados, medicamentos, materiais de limpeza (que podem ser ingeridos) e fósforos em locais acessíveis.
Em fevereiro do ano passado, a Folha registrou a morte do garoto Edson Felix, de dois anos, que morava na periferia de Sarandi, município localizado sete quilômetros a leste de Maringá. Ele foi atingido no peito por um tanque de concreto e sofreu trauma no tórax.
O grande número de acidentes com tanques domésticos envolvendo crianças levou a Secretaria de Saúde de Maringá e o Ministério Público (MP) a realizarem, no início de 99, uma campanha de alerta aos pais. Naquela época, agentes de saúde que faziam o combate ao mosquito transmissor da dengue, ao visitarem os domicílios, orientavam sobre o risco de acidentes com tanques de lavar roupa. A secretaria imprimiu cerca de 100 mil folhetos, com linguagem simples e direta, com orientações neste sentido.
A campanha teve também como objetivo identificar os fabricantes de tanques de cimento e pedras – que podem alcançar até 100 quilos de peso – para cobrar mudanças nas normas de fabricação e tornar o produto mai seguro. Segundo o MP, com as normas definidas, além dos pais da vítima, os fabricantes e até revendedores podem ser responsabilizados pelos acidentes.
O Rotary Club das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná desenvolveram, em 98, campanhas de prevenção e redução de acidentes envolvendo menores. No Dia das Crianças, parte dos 73 clubes distribuiu material informativo com dicas de segurança.

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