Tanque é usado como piscina há 2 meses
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Silvana Leão 
Crianças e jovens do bairro Cervejaria (zona leste de Londrina) desafiam o perigo ao invadir a fábrica desativada da Skol para nadar e brincar em uma mina. Segundo moradores das proximidades, o local está sendo utilizado como piscina há mais de dois meses. No último sábado, foi palco de uma tragédia. O jovem Wilson Bruno Rodrigues, 16 anos, morreu afogado enquanto nadava no tanque, que era utilizado no passado para captação de água da fábrica, desativada em 93.
Os frequentadores chegaram a improvisar um trampolim para saltar no tanque. Com 8,5 metros de profundidade, a piscina encontrada por eles fica em um local de difícil acesso, cercada de mato. A água não é suja, mas as paredes tijoladas do tanque estão cheias de lodo, afirma o garçom Aparecido José de Oliveira, que acompanhou Bruno e um amigo até o local.
Ele explica que os garotos o procuraram por volta da 14h30, convidando-o para ir até a mina. Logo depois de entrar na água, porém, Aparecido sentiu-se mal e resolveu ir embora. Assim que cheguei em casa já recebi a notícia da morte do Bruno, diz o garçom, admitindo o perigo do lugar. Se não tomarem uma providência rápido, vai morrer mais gente aqui. De acordo com moradores da região, no domingo à tarde, várias crianças voltaram a entrar no tanque, apesar do acidente ocorrido na véspera.
Nós já cansamos de ver meninos de quatro, cinco anos, descendo para a mina. Nestes dias de calor, eles passam a tarde ali, diz Maria Aparecida Carvalho, que mora em uma das casas próximas ao local. Sua filha, Idelma, lembra que até uns tempos atrás o local era muito tranquilo, mas depois que a mina começou a ser frequentada, a família foi obrigada, por segurança, a subir os muros que cercam a residência.
A assessoria de imprensa da Companhia Cervejaria Brahma, proprietária da área onde está instalado o tanque, informou que existem seguranças contratados para fazer a ronda de toda a região que atualmente abriga uma distribuidora da marca. Estes seguranças, segundo a empresa, tentaram alertar por várias vezes a população sobre os perigos da utilização do tanque, mas chegaram a ser agredidos verbalmente pelos frequentadores.
A primeira providência tomada pela companhia foi a colocação de tela de proteção sobre o tanque, que foi retirada pelos frequentadores. A empresa, então, providenciou a instalção de uma cerca na área, feita de alambrado e fios de arame farpado. Diante da violação da cerca, no dia 26 de janeiro, a Brahma resolveu se precaver, informando a polícia do problema e registrando, inclusive, Boletim de Ocorrência. Segundo a assessoria, alguns policiais foram até o local e advertiram os frequentadores, mas de nada adiantou.
A companhia lamenta, muito, o ocorrido. Mas temos certeza de que tomamos todas as providências cabíveis. Era dever da população não invadir mais aquela área, afirmou a assessoria, lembrando, ainda, que a Brahma não pode manter seguranças 24 horas por dia nos tanques.


