O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) suspendeu o funcionamento do tanque de combustível de onde vazou óleo de xisto que poluiu o Rio Carimã, um dos afluentes do Rio Iguaçu. O Hotel Mabu, responsável pelo reservatório, terá que apresentar um projeto com todas as medidas de segurança ambiental para voltar a aquecer as caldeiras com o produto.
A interdição saiu somente no final da tarde de anteontem, 15 dias depois do desastre ecológico que matou, segundo o laudo do Ibama, mil quilos de peixes do rio e também de uma represa localizada cerca de 800 metros do vazamento dentro da propriedade de outro hotel. Segundo o chefe do IAP em Foz, Carlos Pitton, a suspensão foi determinada porque o Mabu não possuia licença ambiental para trabalhar com óleo de xisto, normalmente usado para aquecer as caldeiras.
‘‘Até o ano passado, o hotel utilizava gás GLP. Se a empresa tivesse solicitado a nova licença neste início de ano, o acidente não teria ocorrido’’, comentou Pitton, referindo-se às alterações necessárias para o manuseio do xisto. O local precisa de uma bacia de contenção, cobertura e principalmente o fechamento do ralo, que leva a água das chuvas e resíduos do pátio para o rio.
Para o chefe do IAP, uma boa equipe técnica pode executar as obras em apenas dois dias. ‘‘Assim que o plano de contingência for apresentado, o hotel será liberado novamente para trabalhar com o óleo, já que isso não é proibido’’, comentou Pitton, destacando que a estação de tratamento de esgoto do Mabu está licenciado, sem apresentar irregularidades.
O gerente do Hotel Mabu, Rogério Filho, não foi encontrado ontem. Em entrevista anterior, disse que o hotel também foi vítima, tanto que a empresa responsável pelo abastecimento do reservatório de combustível, a Ravato Diesel Ltda de São Mateus do Sul, assumiria todos os custos financeiros.
Mesmo podendo voltar a usar o xisto, o hotel ainda terá que pagar as multas do Ibama (R$ 300 mil), da Secretaria do Meio Ambiente de Foz (R$ 50 mil) e do próprio IAP (R$ 40 mil). A Ravato também foi multada em R$ 350 mil. O vazamento ocorreu na noite do dia seis deste mês, quando funcionários enchiam o tanque com 15 mil litros do óleo. Cerca de 300 litros transbordaram, sendo escoados por um ralo em direção ao rio que passa atrás do estabelecimento.

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