Emerson Cervi
De Curitiba
Cerca de 200 engenheiros de Curitiba vão conhecer hoje à noite as propostas da equipe do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) para o novo plano diretor da cidade. A reformulação da lei de zoneamento e uso de solos é o ponto mais polêmicos da proposta. A partir das 20h o prefeito e sua equipe discutem o plano diretor no auditório do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). ‘‘Existem pessoas a favor e outras contra, estamos promovendo o debate para que as propostas sejam melhor esclarecidas’’, disse o presidente do IEP, Volmir Selig.
Segundo o presidente do IEP, as novas determinações mínimas de recuos nas construções civis precisam ser melhor discutidas. A proposta de Taniguchi prevê um recuo lateral mínimo de 1/6 da altura dos prédios para as regiões de adensamento populacional. Segundo Selig, em média, isso vai dobrar os espaços exigidos atualmente entre novas construções. ‘‘Nós defendíamos um aumento dos recuos, mas da forma como quer o prefeito, a proposta muda da água para o vinho’’, afirmou o presidente do IEP. ‘‘Se forem aprovadas as mudanças, um prédio de 20 pavimentos precisará de 10 metros de recuo de cada lado, o que inviabilizaria muitos projetos’’.
Outro efeito indireto da nova lei de zoneamento e uso de solos que os engenheiros querem discutir com o prefeito é o possível inflacionamento dos imóveis em Curitiba. A proposta estabelece como principal eixo de desenvolvimento da cidade o trecho urbano da BR-116. Para isso, prevê-se a transferência do potencial construtivo do eixo Norte-sul para a região da BR-116. ‘‘Os terrenos ao longo do novo eixo estrutural ficarão mais caros enquanto em outras regiões como na avenida República Argentina, por exemplo, não diminuirão de preço, a tendência é de um crescimento médio no valor dos imóveis’’.
O atual plano diretor de Curitiba foi aprovado em 1965, quando o município tinha menos da metade da população atual, e estabeleceu alguns eixos de desenvolvimento urbano. Agora, a proposta de Taniguchi é criar novas áreas de crescimento.
Metrô Técnicos do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) também vão falar aos engenheiros do IEP sobre o projeto de implantação do sistema de transporte de alta capacidade, o metrô elevado, nos 27 quilômetros do trecho urbano da BR-116. ‘‘É uma mudança de filosofia, que resultará no metrô metropolitana ao mesmo tempo em que descongetionará o sistema de transporte do eixo norte-sul, feito pelos ônibus biarticulados’’, conta Selig. A reunião desta noite será a primeira da equipe de técnicos da prefeitura com representantes de entidades de classe sobre o plano diretor. O projeto de lei deve começar a tramitar na Câmara Municipal em setembro.

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