Também não há fiscalização
A associação ambientalista Bandeira Verde denuncia também a falta de fiscalização sobre o envasamento de gás. A coordenadora Eliana Souto diz que, sem um trabalho de fiscalização rigoroso, os riscos de acidentes aumentam, agravando a situação. Segundo Eliana, a lei estabelece que a fiscalização do serviço é de responsabilidade da Prefeitura. Mas como a lei ainda não foi regulamentada, não existe um órgão ou departamento definido para fazer o trabalho.
Ela conta que é comum ver caminhões de GLP parando em locais onde é proibido estacionar para fazer o abstecimento dos cilindros, obrigando pedestres e carros a desviar. O detonador da explosão pode ser um cigarro aceso ou uma batida de carro. O risco é permanente. Mas não temos para quem denunciar, afirma Eliana Souto.
Esse tipo de procedimento foi flagrado pela reportagem da Folha na segunda-feira: parado irregularmente no lado direito da pista, em horário de bastante movimento (14 horas), um caminhão abastecia botijões de um dos edifícios próximos à esquina das ruas Goiás e Hugo Cabral.
Eliana Souto afirma que a associação já procurou o Corpo de Bombeiros, a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) buscando o responsável pela fiscalização. Todos disseram que não têm poderes para fiscalizar o serviço, ela conta.
No ano passado a Bandeira Verde tentou convencer a Câmara de Vereadores a não aprovar o projeto que permitia a implantação do serviço. Mas o projeto foi aprovado e sancionado pelo Executivo. Parece que o poder público só vai despertar para o perigo do serviço quando um acidente acontecer e matar gente.
Agora, a associação pretende entrar com uma ação civil para tentar a proibição do serviço na Cidade. Paralelamente, a entidade iniciou uma campanha de informação junto à população, com o objetivo de divulgar os riscos do sistema de envasamento domiciliar. Eliana Souto diz que muitos donos de estabelecimentos disseram desconhecer o perigo e se mostraram dispostos a desistir do serviço.
O problema é que as empresas cobram multas altíssimas de quem quer desistir do serviço. Em alguns casos, a multa chega a R$ 5 mil, diz a coordenadora da Bandeira Verde. Ao tomar conhecimento da multa - afirma Eliana Souto - as pessoas preferem aguardar o término do contrato. A entidade orienta os interessados no novo sistema: antes de assinar o contrato para envasamento domiciliar, é preciso buscar mais informações sobre os prós e contras do serviço.





