Tamarana fica livre do agrotóxico
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terça-feira, 16 de março de 1999
Cláudio Osti 
A população de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina) finalmente vai se ver livre do depósito de lixo tóxico que tanto preocupava os moradores da cidade. Hoje, às 10h30, sairá o caminhão que transportará a última carga - 18 toneladas - do lixo que está acondicionado num depósito no local onde deveria ter sido construída a Colônia Penal Agrícola de Tamarana.
O caminhão, da empresa WPA Engenharia, responsável pela embalagem e transporte do material, irá levá-lo para ser incinerado nos fornos da Bayer do Brasil, em Belford Roxo, Rio de Janeiro. O percurso, de cerca de mil quilômetros, deve ser concluído em 14 horas, aproximadamente.
Segundo a empresa WPA, o lixo é transportado com a máxima segurança e não há qualquer risco de ocorrer algum incidente. Nos galpões estavam estocados, principalmente, DDT, BHC e Aldrin, que tiveram a comercialização e uso proibidos em 1987. Para não correr risco de intoxicação, os funcionários da empresa, encarregados de acondicionar o lixo tóxico, usaram macacões, luvas e botinas impermeáveis, além de uma máscara que cobre toda a face.
O secretário de Meio Ambiente de Tamarana, Hélio Brás Ferreira, disse ontem que estava satisfeito com a retirada do lixo, uma reivindicação antiga dos moradores. Segundo ele, a intenção da Prefeitura é transformar o local em uma escola técnica. Para isso, no entanto, há alguns procedimentos a serem tomados.
O próximo passo é coletar um pouco de reboco das paredes do prédio, do piso, e enviar para análise para saber o grau de contaminação do lugar. Só depois é que poderemos saber se será possível construir uma escola ali, disse. Outra questão é convencer o governo a ceder o espaço, já que a área pertence ao Estado.
A Secretaria de Justiça do Paraná também demonstra interesse na área. O objetivo seria terminar a construção da Colônia Penal Agrícola. O problema, nesse caso, é que 10 famílias moram no terreno há quase 15 anos e seria preciso retirá-las de lá.


