TAMANHO FAMÍLIA - Jardim das Américas: quase uma cidade
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Marco FeltrinReportagem Local 
Não é a toa que o Jardim das Américas, bairro da região norte de Londrina, tem nome de continente. Trata-se de uma estrutura enorme, comprovada por números: são seis condomínios distribuídos em 170 mil metros quadrados que abrigam cerca de quatro mil pessoas em 1.424 apartamentos.
Os 89 blocos de estrutura metálica começaram a ser erguidos em 1991 por dois mil homens que levaram quase três anos para concluir a obra. Na época, a região era isolada por plantações de café, mas com a chegada dos condomínios veio também o asfalto e toda uma estrutura que transformou o Jardim das Américas em uma cidade independente.
Na Avenida Arcindo Sardo é possível encontrar mercados, padarias, bares, escolas, lava-rápido, consultórios e outros serviços que dispensam o deslocamento até o Centro. A única queixa dos moradores é a falta de uma agência bancária.
Imagine agora o trabalho de administrar um bairro com estrutura de cidade e nome de continente. Isto é tarefa para Cícero Donizete de Souza, que há seis anos cuida diretamente de todos os problemas do condomínio. Em alguns casos, ele resolve até questões que não dizem respeito aos prédios. ''Já aconteceu de pai colocar a culpa na gente porque filho menor de idade saiu com o carro, marido brigar com a esposa e vizinho querer que a gente acabe com a discussão, pai sair e pedir para dar comida aos filhos dele'', lembra Souza, que conta com a ajuda de porteiros, zeladores e faxineiros para manter o bem estar no local.
A receita para dar conta de tudo sem se indispor com os moradores é simples: ouvir e resolver. ''Problemas existem, mas a gente resolve tudo na base da conversa. Não adianta ficar multando e o morador fazer errado de novo. É mais fácil trabalhar a educação'', explica o administrador.
E a estratégia deu certo. Ao caminhar pelas áreas livres do Jardim das Américas, percebe-se um ambiente muito limpo, silencioso e tranquilo. Foram estes fatores que influenciaram a dona-de-casa Maria Conceição do Nascimento a escolher o lugar para morar. Ela é uma das ''pioneiras'' do condomínio, e gostou tanto da experiência de morar em apartamento que não pretende mudar de endereço tão cedo.
''É muito bom morar aqui. Nos finais de tarde todo mundo se reúne para conversar, tem uma área grande para as crianças brincarem e dá para fazer até caminhada nas ruas do condomínio. A liberdade é semelhante à de uma casa, mas com muito mais segurança. Só saio daqui quando ganhar na Mega-Sena'', prevê a moradora sorridente.
Nos mais de 1,4 mil apartamentos é possível encontrar gente de diferentes classes sociais, idades variadas e até de outros países. Andrea de Carvalho, 28 anos, veio da Guiné (África Ocidental) para Londrina. Depois de passar alguns meses morando no Centro, a estudante do último ano de Serviço Social mudou para o Jardim das Américas, onde encontrou a tranquilidade que procurava. ''O Centro é muito agitado e eu gosto de sossego. Aqui é bem tranquilo, um ambiente familiar que faz a gente conviver muito bem com os vizinhos.''
O Jardim das Américas tem 42 funcionários entre porteiros, zeladores, faxineiros e responsáveis pela manutenção. Além destes, o condomínio conta ainda com a ajuda de um morador ''faz tudo'': Dimas Campanhã, aposentado de 69 anos, está sempre pronto para auxiliar os vizinhos nas emergências domésticas. Seja para trocar cortinas, consertar o chuveiro ou a torneira, é só chamar o seo Dimas que ele resolve na hora. ''Gosto muito de ajudar as pessoas com o que eu sei trabalhar.''
Pedro José da Silva, de 92 anos, confirma o ambiente de cooperação entre os moradores do bairro, que favorece os idosos carentes de companhia e atenção. ''Você chama um vizinho e ele vem te acudir na hora. Para nós da terceira idade é muito importante, faz a gente se sentir mais seguro.''


