O destino do lixo é um dos grandes problemas a serem enfrentados pela humanidade nos próximos anos, junto com a escassez da água. Países da Europa, que sofrem com a falta de áreas para acondicionar resíduos sólidos já buscam soluções para o problema que apontam para a reciclagem e, principalmente, diminuição do lixo produzido.
Conseguir que a população diminua a quantidade de resíduo sólido produzido é um desafio que passa pela educação ambiental e pela cobrança do serviço. O professor de Saneamento e Meio Ambiente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fernando Fernandes, defende que a cobrança seja de acordo com a quantidade de lixo produzida por cada contribuinte.
‘‘Se a pessoa pagar mais caro, irá diminuir a quantidade gerada’’, afirma. Hoje o cálculo feito pelo município é com base na metragem do imóvel, independentemente de ser uma casa, um supermercado, um restaurante, o cálculo realizado para saber quanto cobrar do contribuinte é o mesmo.
Segundo o secretário Municipal de Fazenda, Paulo Bernardo, a taxa é calculada multiplicando a metragem do imóvel pela quantidade de vezes que o caminhão de coleta passa ma semana por R$0,34 (valor que corresponde a 33% de uma UFIR). O secretário admite que é injusto cobrar de um restaurante com a mesma metragem que uma residência o mesmo valor de taxa, já que o primeiro, obviamente, produz muito mais que uma casa.
O secretário afirma que chegam muitas reclamações à prefeitura e que os casos são avaliados e a taxa revista. O método de cálculo foi definido na administração passada e segundo o secretário, já está sendo realizado um estudo aprofundado sobre a cobrança de Imposto Territorial Urbano (IPTU) e taxas agregadas (lixo, conservação de vias, combate a incêndio) que são cobradas junto com o imposto.
Paulo Bernardo afirmou que ainda não tem definida forma de cálculo que será utilizada para a cobrança da taxa de lixo. ‘‘O ideal seria cobrar pela quantidade que cada um produz, porém isto geraria muitos conflitos com o contribuinte e até com a Câmara de Vereadores’’, afirmou.
O secretário adiantou apenas que o projeto que será apresentado na Câmara de Vereadores no segundo semestre, para que no próximo já esteja em vigor a nova legislação de cobrança do IPTU e taxas agregadas, irá respeitar ao máximo a proporcionalidade de produção de lixo. Uma das possibilidades mencionadas por Paulo Bernardo é incorporar o valor das taxas agregadas ao valor do IPTU.
De maneira geral, os contribuintes acham que o preço pago pela coleta de lixo é alto. A dona-de-casa Halina Cunha, moradora da Rua Louis Francescon, na Vila Casoni (área central), paga R$ 234,50 pela coleta. Na casa, de 220 metros quadrados, moram apenas três pessoas. Por outro lado, a Folha apurou que um restaurante que serve cerca de 240 refeições por dia, no centro da cidade, pagou este ano R$ 117,20 pela coleta de lixo. Para dona Halina, o serviço deixa a desejar na cidade. ‘‘Por aqui não tem nem coleta de lixo seco (reciclável).’’

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