Marcos NegriniEm tempoTamanduá-
bandeira é
capturado em
Paiçandu e
levado para o
minizoológico
do Parque do
Ingá: captura
deixou o
animal
estressadoO minizoológico do Parque do Ingá tem um novo integrante desde a tarde de anteontem. É um tamanduá-bandeira adulto que foi encontrado em Paiçandu (10 km de Maringá). O animal, que está ameaçado de extinção, foi apedrejado por moradores antes de ser capturado por uma equipe do setor de Vigilância Sanitária do município e encaminhado para Maringá.
A identificação do animal na região surpreendeu a direção do Parque do Ingá. De acordo com a bióloga Lídia Maróstica, o tamaduá-bandeira é encontrado no Brasil nas regiões de campos e cerrados, na Argentina e no Paraguai. O último registro de existência do tamanduá-bandeira no Paraná foi na região de Guarapuava. Lídia não soube precisar há quanto tempo. Por ser um animal lento e inofensivo é fácil de ser capturado. Em Goiás e Mato Grosso o animal é ameaçado por causa das queimadas.
O tamanduá-bandeira está na ‘‘lista vermelha’’ dos animais ameaçados de extinção. Em Maringá, o tamanduá-bandeira está ocupando uma jaula próxima ao recinto do leão Quimba e da leoa Doti. Ele está recebendo cuidados especiais e alimentação à base de soja e ração, além de insetos.
A tentativa de captura por moradores de Paiçandu deixou o animal bastante estressado. Ontem ele permaneceu boa parte do dia encolhido no canto da jaula e nem mesmo a tentativa dos veterinários em reanimá-lo com um formigueiro (o animal se alimenta de formigas) deixado ao seu lado surtiu efeito.
Pelo tamanho, os técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Maringá calculam que o animal é adulto. Mas só depois de exames mais profundos será possível identificar se é macho ou fêmea. Por estar ameaçado de extinção, quem decide a destinação do tamanduá-bandeira é o Comitê de Conservação da Espécie, que funciona em Curitiba e já foi comunicado sobre o animal do Parque do Ingá.
Em Foz do Iguaçu, soldados da Polícia Militar conseguiram capturar anteontem um tamanduá-mirim ferido com estilhaços de espingarda de chumbo. O aninal foi encontrado na Vila Iolanda, quando estava sendo apedrejado por um grupo de garotos. O bairro fica próximo ao Parque Nacional do Iguaçu onde, provavelmente, o animal habitava.
O tamanduá-mirim foi levado para o zoológico do Bosque Guarani e medicado por uma veterinária. De acordo com o diretor do zoológico, Ivo Borghetti, o animal está em um recinto individual. ‘‘Apesar de se alimentar bem, comendo frutas e sementes, ele continua em observação’’, disse.
Ainda segundo ele, o animal está de quarentena e caso se adapte ao local ficará em definitivo. O tamanduá, segundo os veterinários, é um animal dócil, frágil, sem nenhuma defesa e poderia ter morrido pelo estresse associado aos ferimentos.
O tamanduá-mirim é a quarta doação feita ao zoológico este mês. Foram abrigados um casal de filhotes de coruja, um macaco-prego e um papagaio-de-peito-roxo, que inclusive está na lista de animais em extinção. Desde o início do ano, o zoológico do Bosque Guarani iniciou uma campanha para reprimir o tráfico de animais na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
O tráfico de animais, segundo a Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, só perde para o tráfico de drogas e armas. Recentemente, a Polícia Federal apreendeu cinco filhotes de papagaio na Ponte da Amizade. Os animais foram capturados em ninhos de florestas paraguaias. Os papagaios ainda estão sendo alimentados por sonda. O mesmo zoológico recebeu neste ano 400 tartarugas apreendidas numa fiscalização e um cervo.

mockup