Tamagotchis já preocupam professores
Curitiba
Fotos: Albari Rosa
NovidadeJoão Carlos Oliveira (acima): Nunca vi brinquedo algum causar uma influência tão grande nas crianças. É uma relação de dependência absurda
Loja de brinquedos de Curitiba (foto de baixo) criou o Berçário para Tamagotchi, que atende em média 20 bebês por dia e cobra R$ 0,50 por meio período de estadia
Eles não são mais apenas a mais recente mania de consumo infantil no Brasil. Após provocarem corridas enlouquecidas às lojas de brinquedos, os bichinhos virtuais - que carregam os apelidos de Tamagotchi e Dinokur - começam a preocupar pais e professores. Algumas escolas em Curitiba, depois de perceberem a queda no rendimento dos alunos e de assistirem brigas pela disputa do brinquedo, passaram a barrar a entrada dos tais bichinhos virtuais. Agora, quem for pego cuidando do seu novo amiguinho durante as aulas tem o brinquedo apreendido. Uma vez recolhido, só devolvemos o Tamagotchi na presença dos pais, avisa o coordenador de Disciplina do Colégio Santa Maria, João Carlos de Souza Oliveira.
Os maiores problemas são observados nas crianças na faixa etária dos seis aos dez anos, que tendem a ter uma relação mais obsessiva com o brinquedo. Além da dispersão da atenção durante as aulas, algumas escolas já registraram casos de roubo de Tamagotchi e de crises de choro pela morte do bichinho. Nunca vi brinquedo algum causar uma influência tão grande nas crianças, diz o coordenador do Colégio Santa Maria, que trabalha na escola há 23 anos. É uma relação de dependência absurda, diz.
A psicóloga Marilza Bertassoni Alves Mestre acredita que o maior problema causado pelo bichinho virtual é o apego afetivo a um objeto. Ao invés de se relacionar com um animal de verdade, capaz de responder ao amor dado pela criança, ela se acostuma a gostar de um ser inanimado, diz a psicóloga. Dependendo do temperamento da criança - e também da educação dada pelos pais e pela escola - o Tamagotchi pode incentivar o apego material.
A recomedação para que os alunos não levem os bichinhos virtuais para a sala de aula pode se transformar, em breve, numa proibição mais severa. No colégio Bom Jesus, a orientadora pedagógica Cintia Tortato diz que, caso os problemas aumentem, a escola poderá proibir o uso dos brinquedos. Por equanto estamos conseguindo contornar o problema, orientando os alunos a evitar o uso dos bichinhos virtuais durante o período das aulas. Nas classes da pré-escolas, explica a orientadora, as professoras têm conseguido convencer os alunos a colocar os bichinhos para dormir durante as atividades. O jeito é negociar, diz.





