CABUL - A milícia islâmica dos talibãs cercou ontem a base aérea de Bagram, 50 km ao norte de Cabul e prosseguiu trocando disparos com a coalizão antitalibã, que ainda controla o lugar.
A linha de frente da milícia islâmica e seus adversários fica localizada numa das margens da ponte Barikaw, a uns 5 km de Bagram.
Os talibãs recuperaram terreno nos últimos dias depois de uma ofensiva lançada na sexta-feira passada.
No deserto diante de Bagram, os talibãs posicionaram armas pesadas, na certeza de que a base vai cair em seu poder.
Entre os milicianos talibãs encontra-se um grupo de paquistaneses que afirma ter chegado ao Afeganistão para combater pela ‘‘Guerra Santa’’.
A participação paquistanesa junto aos talibãs é um tema delicado. Ahmad Shah Massud, o homem forte do ex-governo afegão do presidente Burhanuddin Rabbani, derrubado em 27 de setembro passado pelos talibãs, acusou o Paquistão de injerência direta nos assuntos internos do Afeganistão, acusação que o governo paquistanês desmentiu.
No momento em que o governo de Rabbani foi derrubado, o comandante Massud retirou de Cabul a maioria de suas tropas. Agora elas fazem parte da coalizão antitalibã, que reúne também as forças do general de origem uzbeque, Abdul Rashid Dostam e as da facção religiosa xiita de Karim Jalili.
A coalizão que luta contra os talibãs acaba de sofrer um sério revés, pois a ofensiva lançada na sexta-feira pelas milícias islâmicas desmontou suas posições anteriores em duas frentes.
Segundo a rádio Cabul, controlada pelos talibãs, 75 combatentes da coalizão morreram nessa ofensiva, dezenas ficaram feridos e 244 foram capturados.
Depois de terem perdido suas posições, as forças da coalizão responderam ontem, realizando incursões aéreas contra Cabul, controlada pelos talibãs. Os ataques visaram o aeroporto internacional e a sede presidencial, mas os talibãs não informaram se houve vítimas e o nível dos danos materiais.

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