Talentos para pesquisa científica
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
''As aulas de Biologia do colégio só começam no próximo semestre, mas essa já é uma boa oportunidade para eu ir me familiarizando com a pesquisa científica'', afirmou o estudante da 1 série do Colégio Estadual 14 de Dezembro, Daniel Henrique da Silva, 15 anos, enquanto manuseava a lâmina do microscópio no laboratório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Não é só para o estudante de Alvorada do Sul (Norte) que o sonho de ingressar na pesquisa científica e conquistar uma carreira acadêmica parece mais próximo a cada dia. Com outros 25 alunos do nível médio de escolas públicas de Londrina e região, Silva participa durante toda semana dos módulos de ensino do projeto ''Novos Talentos''. Trata-se de um programa de âmbito nacional, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que visa promover a interação entre a universidade e o Ensino Básico, especialmente com professores e alunos de instituições com baixo Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb).
Além de alunos de 14 a 18 anos dos colégios estaduais de Londrina, participam das oficinas alunos da rede estadual de Cambé, Ibiporã, Arapongas e Centenário do Sul. O projeto é oferecido pelo Departamento de Ciências Biológicas, voltado para a área de Biotecnologia, Genética e Meio Ambiente.
''Nosso intuito é despertar o interesse deles pela pesquisa científica, mostrando que a forma como se estuda e trabalha na universidade não está distante, nem é muito diferente do que se faz comumente, em outros âmbitos da vida'', explica o coordenador do projeto no Departamento de Ciências Biológicas, professor Wagner José Martins Paiva. ''Os jovens passam a semana na UEL, fazendo visitas orientadas por monitores (estudantes de graduação) a laboratórios onde se desenvolvem atividades relacionadas com essas áreas do conhecimento'', acrescenta.
Durante as visitas, os alunos conhecem o setor de Psicultura, têm aulas de Anatomia e Embriologia nos laborátórios de Biologia, se aventuram na Mata do Godoy, além de participarem de debates sobre sexualidade, genética e biotecnologia.
''Eu já pensava em seguir profissão na área de Ciências Biológicas, mas agora tenho certeza que quero Engenharia Genética e esses módulos foram fundamentais para minha escolha'', conta a estudante da 2 série do ensino médio do Colégio Dom Geraldo Fernandes, Juliana Souza de Oliveira, 16 anos, de Londrina. ''Às vezes, a gente tem uma visão tão diferente da universidade, de algo tão distante, mas não precisa ser assim, na verdade nem é. Conquistar o que queremos só depende de nosso próprio esforço.''
Dedicação que a colega Karla Gabriela Chemin, 14 anos, aluna da 1 série do Colégio Estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera, também de Londrina, demonstra ter de sobra. ''No ano passado também aproveitei as férias para participar das oficinas, mas foi em outra área. Este ano, eu optei por Ciências Biológicas justamente porque é a área na qual pretendo me formar. Quero trabalhar em pesquisas sobre a vida animal'', enfatiza.
Ambiente
E para quem imagina que somente os alunos do Ensino Médio se beneficiam com o projeto, o estudante do 4º ano de Ciências Biológicas, Danilo Bruxelas Parra, informa: ''A experiência de ministrar os módulos para os alunos tem sido muito importante para nossa formação, afinal, já estamos vivenciando o dia a dia da profissão e temos a oportunidade de testar a eficácia do nosso método de aplicação do conteúdo.''
''Muitas vezes, os alunos não se interessam pela pesquisa científica não porque não querem, mas porque não foram apresentados a ela da maneira correta. Nem sempre os professores têm a disposição de lançar mão de recursos que despertem esse interesse dos alunos'', complementa o graduando.
Para criar um ambiente de interesse pela pesquisa científica e por carreiras universitárias nas escolas públicas, o projeto é realizado também com docentes. Este ano, professores do ensino público já participaram, na UEL, do mesmo módulo de 40 horas voltado para as Ciências Biológicas, que agora está sendo oferecido aos alunos. ''Esperamos que os professores ajudem a levar aos alunos a curiosidade pelo desenvolvimento do conhecimento científico'', acrescentou Paiva.
Outros três módulos compõem o Projeto Novos Talentos na UEL. Um é desenvolvido pelos departamentos de Anatomia e Histologia, outro pelos de Computação e Física e o terceiro trabalha a Língua Inglesa e é oferecido pelo Departamento de Letras Estrangeiras Modernas.


