Estima-se que no Brasil já existam cerca de três milhões de fumantes adolescentes. Estudos científicos já comprovaram que a nicotina causa maior dependência na faixa etária entre 12 e 18 anos. Os danos causados pelas substâncias presentes nos cigarros também são maiores entre quem começa a fumar ainda jovem. Além de servir como porta de entrada para o consumo de outras drogas, o fumo na adolescência aumenta o risco de o fumante ter problemas graves de saúde, como infarto e câncer.
O cirurgião toráxico João Carlos Thompson, que integra a equipe médica do Hospital do Coração, explica por que o tabagismo é mais nocivo entre os adolescentes. ''Na fase da adolescência o cérebro ainda não está totalmente amadurecido e existe uma fragilidade respiratória. Por isso, a grande maioria dos pacientes adultos que começaram a fumar ainda na adolescência sofre de bronquite, asma, tosse, catarro e problemas mais graves como doenças vasculares e cardíacos. Vale destacar que cerca de 90% dos casos de efizema pulmonar e câncer de pulmão e de bexiga são causados pelo cigarro'', ressalta.
Thompson diz que os casos de fumantes adolescentes são cada maior e mais preocupantes ''Hoje em dia os jovens estão começando a fumar cada vez mais cedo, entre 12 e 15 anos. Percebe-se que quanto menor o grau de instrução e mais precária é a situação econômica familiar maior é número de fumantes'', avalia o médico.
Ele destaca ainda que os adolescentes são seduzidos pela indústria do tabagismo e se iludem achando que o narguile (equipamento usado para inspira fumaça) e os cigarros com aromas artificiais não fazem mal à saúde. ''Tanto o narguile quanto os cigarros com aroma de menta e chocolate, entre outros, disfarçam os efeitos da nicotina, mas são tão nocivos quanto os demais e podem causar mais de 50 doenças, incluindo problemas de malformação durante a gravidez'', salienta.
O médico destaca ainda que os adolescentes são mais resistentes em largar o vício. ''A rebeldia típica desta fase impera e os jovens ignoram o fato de que podem sofrer graves consequências a médio e longo prazos se continuarem fumando'', argumenta.
Informação
Apesar disso, Thompson diz que as informações são as maiores armas dos pais que lutam para que os filhos abandonem o vício do tabaco. ''Deve-se conversar com os jovens sobre os riscos de saúde que eles correm ao continuar fumando. Existem sites na internet riquíssimos em informações sobre os danos causados pelo cigarro que podem ser usados para reforçar os argumentos'', aconselha.
Adesivos e chicletes à base de nicotina podem ser adotados para amenizar os incômodos causados durante o período de abstinência da substância. ''Esses métodos são eficazes, porém a pessoa precisa estar determinada a parar, pois somente o uso de medicamentos não é suficiente para acabar com o vício'', observa o médico.

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