Tabagismo é alto entre adolescentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Um estudo divulgado ontem pelo Instituto do Pulmão de Londrina aponta que 24% dos adolescentes da cidade com menos de 18 anos fumam. O percentual é maior que o da cidade de São Paulo, onde 21% dos adolescentes na mesma faixa etária são fumantes. Este resultado nos deixa apreensivos e vai redirecionar nossas próximas campanhas e trabalhos de conscientização, informou o fisioterapeuta respiratório Paulo Seibert, do Instituto do Pulmão de Londrina.
Uma das principais consequências será o desenvolvimento de um projeto a ser desenvolvido em conjunto com as escolas e outras entidades. Uma vez por semana, dois profissionais do Instituto vão proferir palestras para os estudantes. A proposta é abordar os riscos e consequências do uso das drogas permitidas pela lei cigarro e álcool.
Seibert argumenta que a comunidade conta com entidades trabalhando o tema das drogas ilegais, mas tem carência de trabalhos direcionados contra o fumo e o alcoolismo. O fisioterapeuta atribui o alto índice de fumantes menores em Londrina ao fácil acesso ao cigarro, gerado principalmente pela qualidade de vida local.
Comprar um cigarro parece barato para os nossos jovens, acredita. Mas o resultado da pesquisa não foi exatamente uma surpresa. Seibert lembra que 65% dos fumantes começam entre os 14 e 18 anos; o índice cai para 15% depois dos 30 anos.
Já na primeira vez que a pessoa fuma, a nicotina provoca uma sensação de bem-estar geral, de ânimo. Esta sensação exerce um poder de sedução particularmente grande durante a adolescência, um período em que o jovem passa por transição e instabilidade. Depois de duas a três semanas a dependência psicológica passa a ser química também.
As propagandas fortes veiculadas pelos meios de comunicação, apesar de importantes, diz, têm um impacto pequeno, principalmente entre os jovens. Nos países onde este tipo de campanha já existe há vários anos, o retorno é de 20%. Neste aspecto, o trabalho de conscientização mais eficiente é aquele realizado diretamente com o jovem, complementa.
Ontem foi o último dia das atividades da 2ª Semana de Combate ao Tabagismo, promovida pelo Instituto do Pulmão. Funcionaram dois pontos públicos de panfletagem e exposição de vídeos sobre o assunto, onde os interessados puderam fazer gratuitamente um exame de Pico de Fluxo, para avaliar o nível de lesão pulmonar.
Iniciada no último dia 29 , Dia Mundial de Combate ao Tabagismo, cerca de 300 pessoas se inscreveram para receber consultoria para deixar o vício. Todos serão atendidos nas próximas duas ou três semanas, garante Seibert.


