O Tribunal de Alçada do Paraná reformulou a sentença do juiz da 5ª Vara Criminal, Sérgio Gomes Alves, que havia condenado, por tráfico de drogas, Benedito Carlos Clausen, o ‘Dito Quati’, junto com familiares e um empregado. Os traficantes tiveram aumentadas suas penas em mais três anos de prisão e foram enquadrados também por formação de quadrilha.
Dito Quati foi preso juntamente com a esposa, o filho, o genro, a nora e um empregado, no dia 9 de julho do ano passado. A operação foi realizada por policiais federais de Londrina. O flagrante aconteceu em um sítio no distrito de Lerroville, onde havia 170 quilos de cocaína pura. No local, funcionava um laboratório para refinar o tóxico.
A nora de Dito Quati, Lúcia Helena Bressani, que havia sido absolvida pelo juiz Sérgio Alves, acabou sendo condenada a seis anos de prisão. A sentença do Tribunal foi despachada no dia 22 de novembro. A solicitação do recurso foi feita em dezembro do ano passado, pelo promotor Raimundo Nogueira Soares, que na época trabalhava 5ª Vara Criminal.
Na reformulação da pena pelo Tribunal de Alçada, Dito Quati está condenado a 12 anos de reclusão; sua mulher Sheila, a 9 anos; o genro do casal, Francisco Aurélio Bompani da Silva, a 12 anos; o filho do casal, Gilberto Clausen, a 9 anos e o empregado da família, Renato Mendes dos Santos, a 12 anos.
A decisão do Tribunal atendeu ao recurso do promotor. Ele solicitava maior pena aos réus e qualificação do crime como formação de quadrilha. Para pedir a condenação de Lúcia Helena, Raimundo Nogueira buscou os autos do processo. Consta que a nora de ‘Dito Quati’, no momento da prisão da família, se encontrava tranquilamente junto com seu companheiro Gilberto Jean Lopes Clausen. Com o casal estava também a filha de três anos.
‘Dito Quati’ foi prefeito de Platina (SP) e gozava de grande prestígio político junto ao ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury. Apesar de estar sendo procurado (por homicídio) pela polícia de São Paulo, nunca havia sido preso.
No dia 3 deste mês, Gilberto e Sheila, foram resgatados do 2º Distrito Policial de Londrina. Na ocasião, três homens armados invadiram o distrito e levaram mãe e filho, depois de renderem o responsável pela carceragem, o detetive Waldemar Santos. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Leonyl Ribeiro, está investigando o caso para ver se não houve conivência de policiais. Waldemar foi afastado das funções e está trabalhando como escrivão na 10ª SDP.
Por decreto do então presidente da República, José Sarney, em 7 de março de 1988, ele foi demitido a bem do serviço público da Polícia Federal. O delegado Leonyl Ribeiro não soube responder como Waldemar Santos foi admitido na Polícia Civil. Segundo a legislação estadual e o estatuto da Polícia Civil, nenhum funcionário demitido a bem do serviço público pode ser readmitido para qualquer função ligada ao Estado.

mockup