Giovani Ferreira
De Curitiba
Os hospitais fecham o cerco contra o governo e suspendem o atendimento aos servidores através do Instituto de Previdência do Estado (IPE), cancelando, em alguns casos, inclusive os procedimentos de urgência e emergência. Apesar de a Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) recomendar que sejam atendidos pelo menos os casos de urgência e emergência, o Hospital São Carlos, em Curitiba, limitou qualquer tipo de atendimento através do IPE. Elizabeth França, assessora da presidência do hospital, afirmou ontem que o São Carlos não está atendendo nem mesmo as urgências e emergências.
Para ser internado no São Carlos, o paciente do IPE precisa deixar um cheque-depósito, garantia do custo de sua permanência no hospital. Segundo Elizabeth, o IPE acumula uma dívida de R$ 500 mil com o São Carlos. O hospital é considerado referência aos servidores estaduais, uma vez que de 60% a 70% de seus atendimentos são feitos a conveniados do IPE. A determianção do hospital não atinge pacientes já internados. De acordo com Elizabeth, essas pessoas terão o atendimento assegurado pelo período que for necessário.
Com exceção dos hospitais de Londrina, a maior parte dos estabelecimentos médico-hospitalares do Paraná suspendeu o atendimento pelo IPE desde o último domingo. O motivo é uma dívida de R$ 35 milhões, referente ao pagamento dos prestadores de serviço ao instituto estadual, que não recebem do governo há oito meses. Os servidores que estão procurando atendimento precisam pagar aos hospitais pelos procedimentos.
Tentando amenizar a situação e evitar a interrupção do atendimento aos servidores, o governo do Estado repassou ontem ao IPE recursos na ordem de R$ 3,3 milhões. Esse valor daria para pagar o mês de dezembro do ano passado para os hospitais da capital, e o mês de janeiro para os convêniados dos municípios do interior.
A Fehospar confirmou o pagamento, mas reforçou a sua posição de manter suspenso o atendimento pelo IPE. A direção da Fehospar entende que esse repasse não refresca em nada a situação financeira dos hospitais, que estão tendo problemas diversos devido à falta de pagamento da dívida do IPE.
A assessoria da Fehopsar informou que nas principais regiões do Estado, consideradas pólos de atendimento médico-hospitalar, os hospitais seguiram a recomendação e interromperam o atendimento pelo IPE. Com raras exceções, os hospitais das regiões de Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Cornélio Procópio e Maringá não estavam recebendo pacientes que procuravam atendimento através do IPE. Os hospitais de Londrina não aderiram ao movimento porque eles já haviam decidido que iriam supender o atendimento a partir do próximo dia sete.
Ontem o governador Jaime Lerner disse que está tentando viabilizar recursos para regularizar o débito do IPE.

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