Suspenso tráfego na Estrada do Colono
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Valmir Denardin Capanema 
Ney de SouzaRetiradaManifestantes retiram as barracas que estavam montadas nas duas extremidades da estrada O tráfego na Estrada do Colono, ligação entre as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná cortando o Parque Nacional do Iguaçu, foi suspenso ontem, 20 dias após ter sido liberado por moradores e políticos das duas regiões. A decisão pelo fechamento partiu da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que coordenou duas invasões ao parque, iniciadas em 8 de maio e 20 de junho.
Também ontem, a Aipopec retirou os acampamentos que mantinha nos dois extremos do parque e suspendeu a operação da balsa utilizada para o transporte de veículos na travessida do Rio Iguaçu, no município de Capanema (Sudoeste do Estado). A última viagem da balsa ocorreu às 17h30 de ontem. Nesse mesmo horário, foram fechadas as guaritas de cobrança de pedágio montadas pela Aipopec nas duas entradas do parque, em Capanema e Serranópolis do Iguaçu (Oeste).
Lideranças da Aipopec anunciaram que a suspensão no tráfego e nas obras da estrada vai durar 90 dias. Esse é o período negociado entre a entidade e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que seja revisto o Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu.
Plano de Manejo é um documento que estabelece as formas de ocupações permitidas para cada área de uma reserva ambiental. Elaborado em 1981, o atual Plano de Manejo do parque define onde são permitidas apenas atividades de pesquisas e operações internas.
Revisão do plano Os líderes da Aipopec esperam que os técnicos que farão a revisão do Plano de Manejo concluam, ao final do trabalho, que os impactos ambientais decorrentes do funcionamento de uma estrada no local podem ser superados e decidam permitir a reabertura.
Faremos o máximo esforço para que a revisão contemple a reabertura da estrada, declarou o deputado estadual Irineu Colombo (PT), principal liderança política do movimento.
Estamos fazendo uma renúncia momentânea, mas com a certeza de que seremos recompensados, completou o prefeito de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Perlin, também do PT.
O superintendente o Ibama no Paraná, Jonel Yurk, informou ontem à Folha, por telefone, que a revisão do Plano de Manejo será iniciada na próxima segunda-feira. A revisão será feita por cerca de dez técnicos - engenheiros florestais, biólogos, zootecnistas contratados pelo Ibama. Yurk considerou madura a decisão da Aipopec de desocupar o parque. Ele adiantou, porém, que o reestudo do plano não significa a garantia da reabertura da estrada. O que posso afirmar é que será feito por uma multidisciplinar, isenta e altamente qualificada.
Apesar de suspender o tráfego e desmontar os acampamentos dentor do parque, a Aipopec decidiu manter barracas nas duas extremidades da estrada, em áreas particulares. As lideranças não falam claramente, mas a disposição é de voltar a invadir o parque caso o novo Plano de Manejo não permitir a reabertura da estrada. De um jeito ou de outro, a estrada vai ser reaberta após esse prazo de 90 dias, ameaçou Colombo.
O recurso da Aipopec - que desde a primeira ocupação do parque, no início de maio, não aceitava fechar a estrada para rever o Plano de Manuseio - foi provocado por uma derrota da entidade no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No dia 19, o ministro do STJ, Luiz Vicente Cernichiaro, derrubou a decisão do juiz Pedro Máximo Paim Falcão, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Um despacho do juiz, no final de maio, permitiu a reabertura da estrada.
Paim Falcão havia derrubado liminar da Justiça Federal do Paraná que, em setembro de 1988, havia determinado o fechamento da estrada. Com base na decisão do STJ, no último dia 23, o juiz Zuudi Sakakihara, da 1ª Vara da Justiça Federal em Curitiba determinou nova desocupação do parque e o fechamento da estrada. Essa foi a segunda liminar da Justiça Federal Paranaense dando a mesma ordem. A primeira não foi cumprida pelos invasores.


