A decisão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de suspender o vestibular de inverno, que não vai mais ser realizado em julho do próximo ano, dividiu as opiniões dos membros do grupo criado em maio para discutir mudanças no concurso. Composto numa audiência pública realizada na Câmara, o grupo tem professores, estudantes, donos de colégios, representantes do Ministério Público e da Associação de Vereadores do Médio Paranapanema (Avempar). A proposta é a extinção do vestibular de inverno.
O presidente da Comissão de Educação da Câmara de Londrina e integrante do grupo, Carlos Alberto Bordin (PMDB), criticou a decisão ‘‘unilateral’’ da UEL, que considerou ‘‘péssima’’. Segundo o vereador, ele nunca foi a favor da extinção do vestibular de julho, mas de uma reformulação completa no sistema, com as aulas dos alunos aprovados nesse concurso começando em agosto. ‘‘Com a decisão da UEL, a cidade vai perder. São 20 mil pessoas que deixarão de vir a Londrina no meio do ano’’, apontou.
De acordo com Bordin, a reitoria e o Conselho de Administração da UEL haviam se comprometido a discutir, em setembro, alternativas com o grupo. ‘‘Porém, mais uma vez a universidade impõe decisões sem que a comunidade seja consultada’’, disse. Bordin está convocando uma reunião na segunda-feira com o grupo para discutir a decisão. Também vai encaminhar, via Câmara, um pedido de esclarecimentos à UEL, para que a instituição torne públicas as atas das reuniões dos conselhos.
Já o presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), Alderi Luiz Ferraresi, aplaudiu a decisão, classificando como ‘‘corretíssima’’, e espera que a medida seja tomada em caráter permanente. ‘‘Quem ganhava com o vestibular de julho era a UEL, o comércio, os bares, os táxis. O aluno, só perdia.’’
Segundo Ferraresi, com a decisão a UEL apenas corrigiu uma ‘‘aberração’’. ‘‘A única divergência é sobre uma definição permanente se vai ou não haver outros vestibulares no meio do ano. O ensino médio não pode ficar refém de decisões temporárias’’ - declarou.
Ferraresi apontou também as novas regras do vestibular estão gerando dúvidas. ‘‘Como foi divulgado, o candidato vai responder a apenas duas disciplinas de acordo com o curso escolhido. Na minha opinião, essa especificidade deveria ser ampliada com mais disciplinas, dando um pouco mais de abrangência’’, criticou. ‘‘Direito vai tratar de sociologia e filosofia, disciplinas que não estão ainda concretizadas no ensino médio. As escolas particulares se adequam mais facilmente, mas o ensino público é mais difícil gerenciar’’, explicou. Segundo ele, é preciso ficar atento para que a universidade ‘‘não passe uma rasteira no aluno, fazendo uma redução nas vagas’’.
A Assessoria de Relações Universitárias (ARU) da UEL não quis comentar os questionamentos dos professores. Segundo a assessoria, quem poderia dar informações seria o diretor pedagógico da Comissão de Seleção Permanente (Copese), Bianco Zalmora Garcia, que estaria viajando, ou o próprio reitor, que não poderia atender a reportagem por estar participando da reunião com a Comissão Especial do Conselho Universitário.
No final da tarde, a ARU divulgou uma nota oficial, mas não abordou as considerações feitas por Bordin nem a movimentação do grupo que avalia o vestibular de inverno da UEL. O grupo reivindica também a antecipação do vestibular de janeiro para dezembro e a retirada das disciplinas de filosofia, sociologia e artes dos vestibulares, até que sejam realidade no ensino médio. (Colaborou, Lúcio Flávio Moura)

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