Cerca de 500 pacientes aguardam com angústia o desfecho do impasse que levou à suspensão das cirurgias de catarata, feitas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Oftalmológico (Hoftalon) de Londrina. Em fevereiro, o Ministério da Saúde (MS) encerrou a programação das campanhas de mutirão para cirurgias, incluindo as de catarata. O Hoftalon continuou realizando os mutirões por conta própria mas, sem garantia de remuneração, suspendeu as operações agendadas.
A fila de espera é composta por pacientes que foram atendidos nos três mutirões realizados este ano no Hoftalon - em fevereiro e março - e cujos diagnósticos de catarata foram confirmados. No mesmo dia dos exames, os pacientes eram submetidos a testes cardiológicos e laboratoriais, de forma a agilizar os procedimentos pré-operatórios. Assim, em situações normais, as cirurgias eram realizadas até 40 dias após o diagnóstico.
No mês passado, entretanto, os pacientes foram comunicados de que as cirurgias estavam suspensas por prazo indeterminado. A notícia fez Joaquim Pereira, 69 anos, cair em depressão, segundo sua esposa. ''Ele já perdeu uma vista e está quase cego da outra. Já tem problemas auditivos, Mal de Parkinson, e sua única distração é assistir tevê'', relatou dona Etelvina, dizendo não dispor de R$ 4 mil para bancar uma cirurgia particular. A operação estava marcada para 29 de março último.
Quem também ficou preocupada foi Geni, filha de Otília Dias de Oliveira, 89 anos. ''Ela ficou das 7h30 às 17 horas fazendo exames, que vão perder a validade em seis meses. Além disso, gastou R$ 50,00 de um salário mínimo da aposentadoria com colírios que deveriam ser pingados antes da cirurgia'', frisou.
Segundo a assistente social do Hoftalon, Marisa Nascimento, o hospital continuou fazendo mutirões ''por sua conta e risco''. ''Prosseguimos com as triagens de pacientes, mas suspendemos as cirurgias. Triste é explicar isso para o paciente que havia retomado a esperança de ter uma visão melhor'', salientou.
O diretor clínico do hospital, Nobuaqui Hasegawa, frisou que a prefeitura de Londrina - que gerencia os recursos do SUS - não havia dado nenhuma garantia de remuneração das 100 cirurgias já feitas, em janeiro, muito menos das agendadas posteriormente. ''As cirurgias estão suspensas em todo o Paraná. Só ontem me ligaram (da Secretaria Municipal de Saúde) e disseram que o Município iria bancar'', afirmou o diretor, no início da noite de ontem.
A diretora executiva da Saúde municipal, Margaret Shimiti, ficou surpresa quando questionada sobre o impasse. Disse que o processo relativo à programação de cirurgias era meramente burocrático e que, nem o prestador do serviço (Hoftalon), nem o paciente, seriam afetados. ''Não entendo por que as cirurgias foram suspensas, os pacientes nem precisavam ter sido comunicados disso. Os procedimentos que estão na fila estão preservados'', assegurou.

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