Marcos NegriniAdriana Gasquez: problema salarialOs ortopedistas que trabalham pelo SUS em Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) deixaram de atender pacientes depois que a prefeitura parou de pagar um salário de R$ 1.260 para compensar as consultas eletivas realizadas pelos três médicos. Os médicos são Fábio Massahiro Okuhara, Péricles de Souza Assis e Benjamin do Rego Monteiro. Okuhara disse ontem à Folha que a suspensão foi determinada pela própria Secretaria de Saúde.
A secretária de Saúde de Sarandi, Adriana de Sant’Ana Gasquez, afirmou ontem que havia um entendimento para que o serviço de atendimento de urgência e emergência fosse mantido. Somente o atendimento clínico deveria ser suspenso. Enquanto isso, a prefeitura estudaria uma forma de complementar os valores pagos pelo SUS para as consultas eletivas.
A secretária explicou que o salário pago aos três médicos foi acertado numa negociação verbal feita em administrações anteriores. ‘‘Não concordamos com este acordo e suspendemos o pagamento para analisar os valores’’, explica Adriana.
No início da semana passada, os médicos suspenderam o atendimento a todos os pacientes encaminhados pela secretaria. Os médicos alegam que os valores pagos pelo SUS não compensam, e que estavam à disposição dos pacientes do município permanentemente.
‘‘Fomos obrigados a fazer um novo acordo com o hospital Cristo Rei, de Mandaguari, mas o problema é deslocar os pacientes todos os dias para lᒒ, afirma a secretária. A secretaria queria rever o acordo e pagar apenas o número de atendimentos que exceder os 280 ao mês pagos pelo SUS.
Adriana disse que 15 pacientes de urgência e emergência foram encaminhados para o HU de Maringá desde que os médicos suspenderam o atendimento. O limite para atendimento eletivo em ortopedia é de 264 consultas, enquanto a média é de 148 atendimentos realizados.
O ortopedista Okuhara afirmou que no dia 15 a secretária de Saúde pediu um prazo de 10 dias para reaver o acordo, e que a equipe estava aguardando uma posição do município.
‘‘Não atendo agora por que a secretária Adriana alega que nós suspendemos o atendimento, quando na verdade ela que pediu o prazo’’, afirma. Okuhara disse que o valor pago aos três médicos é o mesmo do plantão 24 horas da prefeitura de Maringá. Segundo ele, enquanto o acordo vigorou, Sarandi nunca teve problemas com atendimento em ortopedia. ‘‘Tanto que agora estamos atendendo apenas os pacientes encaminhados por outros municípios’’, afirma ele.

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