A violência prosseguiu na manhã de ontem, após os camelôs do Shopping Popular descobrirem que pelo menos 40 lojas haviam sido arrombadas durante a madrugada. Três suspeitos foram detidos pela polícia e ameaçados de linchamento pelos comerciantes.
Os ladrões entraram por um buraco na parede do camelódromo após arrancar um exaustor. Em seguida, arrombaram as portas de dezenas de lojas e levaram roupas, bijuterias, DVDs e celulares. Uma motocicleta do estacionamento ao lado também foi roubada.
O prejuízo total não havia sido contabilizado até ontem. Muito nervosa, a comerciante Cecília Aparecida Nascimento contou que perdeu pelo menos R$ 5 mil em mercadorias, fora os estragos em sua loja de bijuterias. ''Quero saber quem vai pagar isso. Eu pago meu condomínio para ter segurança e não estou tendo'', apontou, tendo a reclamação apoiada pelos demais camelôs. As presidentes das duas associações que representam os camelôs foram procuradas pela reportagem, mas disseram que não poderiam atender.
Por volta das 10 horas, em meio à confusão, camelôs anunciaram que um suspeito havia sido preso. Dezenas deles correram até a sede da 10Subdivisão Policial, a poucas quadras do Camelódromo. Ali, ficaram sabendo que os supostos ladrões estavam detidos por PMs em um pequeno hotel na quadra de cima. O local logo foi invadido pelos camelôs, que pediam ''a cabeça'' dos suspeitos.
''Se encostarem nos presos, a coisa vai ficar feia'', ameaçou o soldado José Carlos de Lima, antes de levar os três suspeitos para fora do hotel. Não adiantou. O trio foi cercado pela multidão furiosa e recebido com tapas e chutes. Apenas dois policiais ficaram responsáveis por conter os agressores, que só se intimidaram quando o soldado Lima apontou uma pistola para eles. Dezenas de curiosos também se aglomeraram no local.
Na 10 SDP, os suspeitos se identificaram como Lucinéia Silva, 36 anos, Cley Martineli, 23 anos, e Irineu de Oliveira, 23 anos. Segundo a PM, uma mala com roupas furtadas do camelódromo teria sido encontrada na casa de Lucinéia, que indicou o paradeiro dos dois rapazes. Ela garantiu que ''apenas guardou a mala''. Cley disse que veio do Rio Grande do Sul, estava tentando trabalhar como garçom em Londrina e apenas ''carregou uma mala na frente do camelódromo'', sem dizer por ordens de quem. Irineu, acusado de estar vestindo roupas furtadas, negou.
Questionado pela Folha se a ação para conter os camelôs não colocou a vida de pessoas em risco, o soldado Lima alegou que sua pistola estava travada. ''Foi só para efeito moral. Não tivemos tempo de chamar reforços porque foi tudo muito rápido'', declarou. (V.N.)

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