Suspeitos de raptos são identificados
James Alberti
De Curitiba
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) divulgou ontem o retrato falado da empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto e do casal acusado de intermediar ou adotar ilegalmente duas crianças em Campo Largo. Os gêmeos são filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e do operário Natálio Fisrzter, 29 anos.
Segundo o superintendente do Sicride, Renato Ferreira, o homem dirigia uma Kombi e a mulher (veja fotos) teria se identificado como advogada e ameaçado processar Marisa, caso ela não entregasse os gêmeos. Os dois ainda não foram identificados pela polícia. Apesar de ter tido vários contados com o homem, Marisa afirma que não sabe seu nome. O acusado também teria levado fraldas para as crianças e visitado os bebês enquanto eles ficaram na Maternidade e Cirurgia Nossa Senhora do Rocio, de Campo Largo.
Já a empregada doméstica é acusada de indicar o casal biológico aos pais adotivos. O retrato falado era o último passo para que o delegado do Sicride, Harry Herbert, pedisse a prisão preventiva da doméstica. Embora o processo esteja concluído, o pedido de prisão somente deve ser feito após o fim das férias forenses, o que ocorre no começo de agosto.
Sirlene trabalhava no apartamento 31 do prédio Palace Batel, no Bairro Batel, em Curitiba, e está desaparecida desde que a Folha divulgou o caso, no mês de maio deste ano. O advogado José Antônio Farias de Brito, que defende a empregada doméstica, chegou a afirmar que apresentaria Sirlene há três semanas, mas não compareceu ao Sicride. Ferreira disse ontem que não acredita numa possível apresentação da doméstica. O superintendente também afirmou suspeitar que tanto Sirlene quanto o casal procurado pela polícia não estão com as crianças. Para Ferreira, eles teriam sido usados como intermediadores.
Os bebês nasceram em 5 de novembro do ano passado e foram adotados 18 dias depois. Os pais das crianças só denunciaram a adoção irregular porque teriam parado de receber cestas básicas, conforme o acordo que teriam feito com os pais adotivos. Marisa e Natálio Fisrzter já foram indiciados em inquérito sob acusação de terem vendido os filhos em troca de alimentação por um ano e material de construção. Marisa confessou ter recebido e vendido pequena quantidade de madeira.Eles são acusados de intermediar a adoção ilegal de duas crianças gêmeas recém-nascidas em Campo Largo
ReproduçãoA empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto é uma das acusadas do rapto dos bebêsA polícia divulgou também o retrato de um homem branco, de cabelos pretos grisalhos e estatura medianaUma mulher mulata, baixa e de cabelos e olhos pretos também é uma das suspeitas de ter participado do rapto





