Suspeito é solto por falta de polícia
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Uma perseguição quase cinematográfica a um suposto assaltante acabou em atropelamento e fuga do suspeito. O perseguidor em questão não era policial mas um estudante que acabou fazendo o serviço da polícia por falta de apoio da Polícia Militar (PM).
De acordo com Rafael Santos, 24 anos, ele foi chamado pela namorada por volta do meio-dia. Ela havia reconhecido o assaltante que roubou seu celular no final do mês. O suspeito estava parado, de bicicleta, na esquina da Rua Piauí com a Avenida Higienópolis (Área Central). Santos disse que avisou a polícia pelo 190, através do celular, e foi até o local onde o rapaz estava.
Segundo o estudante, enquanto a polícia não vinha, o suspeito teria abordado uma moça. ''Como desconfiei que ele iria assaltar a moça, cheguei junto dele com a moto e ele fugiu'', contou. Na fuga, o suspeito se livrou do perseguidor, seguindo pela contramão, mas acabou colidindo com um carro que seguia pela Rua Hugo Cabral, quase na entrada do Calçadão.
''O sinal estava aberto e ele não deve ter me visto'', afirmou o motorista do carro, Eleir Godoi, 41 anos, que ainda prestou socorro à vítima. ''Ele disse que estava com fortes dores no peito mas, antes do Siate aparecer, sumiu na confusão. Se soubesse que era um assaltante e estava fugindo, teria eu mesmo prendido ele'', disse.
Mesmo ferido e sem a bicicleta que acabou presa sob o carro , o rapaz já teria cometido outro assalto quando foi encontrado novamente por Santos no final do Calçadão.
Porém, dessa vez, populares ajudaram a conter o ladrão fujão. ''Eles ficaram mais de 20 minutos esperando a polícia chegar. Mas como ninguém apareceu acabaram liberando o cara'', afirmou o estudante. O suposto assaltante foi solto por volta das 13h40, quase duas horas depois da primeira ligação de Santos ao 190.
Revoltado, o estudante reclama do atendimento da polícia. ''Fiz inúmeras ligações, me expus, o rapaz agora pode me reconhecer em qualquer lugar e ninguém tomou uma atitude'', afirmou.
O motorista que foi atropelado pelo assaltante também teve que esperar um bom tempo para ser atendido pela Companhia de Trânsito (Ciatran): mais de uma hora. ''A polícia afirmou que só havia duas viaturas para atender todo o Centro'', revelou Godoi.
O sub-comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), capitão Fábio Luiz Rincoski, negou que houvesse apenas duas viaturas para o atendimento na Área Central. ''Temos que entrar em contato com o rapaz que precisou do atendimento para que possamos verificar as ligações e instaurar uma diligência interna para apurar responsabilidades'', afirmou.
Segundo Rincoski, a falha foi humana e não por falta de efetivo. ''Mesmo se todas as viaturas estão ocupadas, o procedimento é enviar carros de outras regiões nesse tipo de caso'', afirmou.


