Suspeito de ser líder do PCC é preso no Paraná
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sexta-feira, 01 de agosto de 2008
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O homem que seria o líder de uma facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraná foi preso, no Balneário de Shangrilá, em Ipanema (Litoral), por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), durante a operação ''Panóptico''. A FOLHA apurou que Marco Aurélio Adriano da Silva, 29, conhecido como ''Carioca'' e nascido em Londrina, comandaria a facção no Estado e seria a ponta de um esquema de tráfico de drogas, roubos e homicídios.
A organização criminosa teria atuação em todo Paraná, com ramificações em São Paulo e no Rio de Janeiro, destino da maior parte da droga que o grupo trafica. A quadrilha, segundo a polícia, foi desmantelada durante as investigações do Cope, que duraram cinco meses. A articulação era sustentada por pessoas que já passaram pelas penitenciárias do Paraná.
''Cerca de 80% dos presos eram foragidos do sistema penitenciário. Todos trabalhavam para formar um sistema criminoso'', afirmou o delegado operacional do Cope, Renato Bastos Figueiroa. De acordo com a polícia, os detidos têm um sistema de cooptação de integrantes dentro do sistema penitenciário.
Além de Silva, preso na quarta-feira, a polícia deteve 21 pessoas, entre acusados de roubos a banco e transportadores de droga, que fariam parte da organização criminosa. De acordo com Figueiroa, a quadrilha teria um organograma estruturado, com funções definidas para cada integrante.
''O 'Carioca' conseguia a droga em São Miguel do Iguaçu (Oeste)'', informou o delegado. ''Eles compravam veículos financiados por 'laranjas' para carregar a droga (para outros estados). Depois não pagavam mais o financiamento e acabavam usando os veículos como moeda de troca por droga também.''
A polícia contou ainda que a movimentação financeira da quadrilha está sendo monitorada. ''Há contas bancárias sob investigação que podem estar sendo usadas por familiares de detentos e 'laranjas.''
Em toda operação, a polícia apreendeu cinco carros, dez armas de fogo e 750 kg de droga, entre maconha, haxixe e cocaína. Os detidos seriam ainda responsáveis por pelo menos três roubos e dois homicídios. ''Um dos assaltos aconteceu na residência do prefeito de Califórnia (19 km ao sul de Apucarana)'', afirmou.
Outro crime que teria sido cometido sob as ordens de Silva, segundo o Cope, foi o assassinado de uma mulher, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em março deste ano. A moça foi encontrada amarrada com uma corda no pescoço, com fita na boca e queimaduras de cigarro no corpo, com um ''X-9'' nas costas.
''Ela teria dito pra alguns rivais de Silva onde ele escondia armas. Eles foram lá e acabaram roubando as armas'', disse. Parte da quadrilha ainda teria assaltado, também em março deste ano, a agência do Unibanco, no Ceasa, no Bairro Tatuquara, em Curitiba.
Figueiroa explicou que cada integrante da organização deve responder individualmente pelos crimes cometidos, como roubo ou homicídio, mas todos devem ser enquadrados por formação de quadrilha e associação ao tráfico. Silva não quis se manifestar sobre as acusações.
Antes de ser levado para o Cope, Silva foi encaminhado para uma unidade de saúde, no Litoral, onde passou uma lavagem estomacal. No momento da prisão ele engoliu uma pequena quantidade de cocaína.


