Marcos BorgesJoventino, da Funai: apreensão O inquérito aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar a morte do índio caingangue Paulo Xavante, 28 anos - assassinado no dia 5 no acampamento às margens da Via Expressa (zona sul) - não avançou nada em quase um mês. O principal suspeito pela morte, o também caigangue Valdir Domingos, 21 anos, está foragido desde o dia do incidente. Ele não voltou à reserva do Apucaraninha - onde também morava o índio morto - e não deixou pistas.
A PF, a Fundação Nacional do Índio (Funai) de Londrina e o cacique da reserva do Apucaraninha, Jucelino Vírgilio, estão à procura de Valdir Domingos para ouvi-lo. ‘‘Só depois de tomar o depoimento do único acusado é que intimarei as testemunhas para depoimentos. Como ele fugiu e não se apresentou ainda, solicitei à Funai - que é a responsável legal pelos indígenas - que o encontre e o encaminhe para interrogatório na Polícia Federal’’, explica o delegado João Luiz do Prado, que preside o inquérito.
O delegado da PF ressalta que aguarda também o laudo cadavérico do caingangue morto, que ainda não foi concluído pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. O laudo ainda não está completo por falta do exame de dosagem alcoólica, que está sendo realizado no IML de Curitiba. Há suspeita de que Paulo Xavante foi morto - golpeado na cabeça por objeto ainda não determinado - durante uma briga com Valdir Domingos, motivada por alcoolismo de ambos.
João do Prado diz que solicitou à Polícia Civil - que atendeu à ocorrência na noite do crime - um levantamento do local, que contenha detalhes técnicos explicando as circunstâncias em que se deu a briga e a morte de Paulo Xavante. ‘‘Só com estes exames e relatórios em mãos, e com a localização e tomada de depoimento de Valdir Domingos, teremos condições de avançar com o inquérito’’, afirma o delegado da PF.
De acordo com o administrador regional da Funai em Londrina, Joventino Aco, tanto a fundação quanto o cacique Jucelino Virgílio têm feito esforços infrutíferos para encontrar Valdir Domingos, desde o dia 6. ‘‘O Valdir é um índio pacato, calmo e bom. Infelizmente, ele ainda não voltou para a reserva do Apucaraninha. Os familiares e amigos deles estão muito apreensivos por isto’’, comenta o administrador da Funai.
Segundo ele, na mesma noite da morte do caingangue o cacique Virgílio veio da reserva para o acampamento da Via Expressa. ‘‘Ele se reuniu com os índios que presenciaram o incidente, conversou bastante, e começou a procurar por Valdir. Ficou na cidade quatro ou cinco dias, mas não encontrou pistas do suspeito’’, diz Joventino Aco. ‘‘A morte do Paulo foi um fato lamentável para todos nós, da Funai e da reserva. Mas, infelizmente, estas coisas são imprevisíveis, inevitáveis e às vezes acontecem não só entre os brancos, mas também com indígenas.’’

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