Suspeito de matar índio desaparece
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Osmani Costa 
Marcos BorgesJoventino, da Funai: apreensão O inquérito aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar a morte do índio caingangue Paulo Xavante, 28 anos - assassinado no dia 5 no acampamento às margens da Via Expressa (zona sul) - não avançou nada em quase um mês. O principal suspeito pela morte, o também caigangue Valdir Domingos, 21 anos, está foragido desde o dia do incidente. Ele não voltou à reserva do Apucaraninha - onde também morava o índio morto - e não deixou pistas.
A PF, a Fundação Nacional do Índio (Funai) de Londrina e o cacique da reserva do Apucaraninha, Jucelino Vírgilio, estão à procura de Valdir Domingos para ouvi-lo. Só depois de tomar o depoimento do único acusado é que intimarei as testemunhas para depoimentos. Como ele fugiu e não se apresentou ainda, solicitei à Funai - que é a responsável legal pelos indígenas - que o encontre e o encaminhe para interrogatório na Polícia Federal, explica o delegado João Luiz do Prado, que preside o inquérito.
O delegado da PF ressalta que aguarda também o laudo cadavérico do caingangue morto, que ainda não foi concluído pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. O laudo ainda não está completo por falta do exame de dosagem alcoólica, que está sendo realizado no IML de Curitiba. Há suspeita de que Paulo Xavante foi morto - golpeado na cabeça por objeto ainda não determinado - durante uma briga com Valdir Domingos, motivada por alcoolismo de ambos.
João do Prado diz que solicitou à Polícia Civil - que atendeu à ocorrência na noite do crime - um levantamento do local, que contenha detalhes técnicos explicando as circunstâncias em que se deu a briga e a morte de Paulo Xavante. Só com estes exames e relatórios em mãos, e com a localização e tomada de depoimento de Valdir Domingos, teremos condições de avançar com o inquérito, afirma o delegado da PF.
De acordo com o administrador regional da Funai em Londrina, Joventino Aco, tanto a fundação quanto o cacique Jucelino Virgílio têm feito esforços infrutíferos para encontrar Valdir Domingos, desde o dia 6. O Valdir é um índio pacato, calmo e bom. Infelizmente, ele ainda não voltou para a reserva do Apucaraninha. Os familiares e amigos deles estão muito apreensivos por isto, comenta o administrador da Funai.
Segundo ele, na mesma noite da morte do caingangue o cacique Virgílio veio da reserva para o acampamento da Via Expressa. Ele se reuniu com os índios que presenciaram o incidente, conversou bastante, e começou a procurar por Valdir. Ficou na cidade quatro ou cinco dias, mas não encontrou pistas do suspeito, diz Joventino Aco. A morte do Paulo foi um fato lamentável para todos nós, da Funai e da reserva. Mas, infelizmente, estas coisas são imprevisíveis, inevitáveis e às vezes acontecem não só entre os brancos, mas também com indígenas.


