O delegado José Aparecido Jacovós, afastado da 9 Subdivisão Policial de Maringá, em outubro do ano passado, por suspeita de improbidade administrativa, deve assumir hoje, oficialmente, como o delegado titular de Bela Vista do Paraíso (40 km a Norte de Londrina), onde já atuava desde aquela época. Jacovós foi confirmado no cargo depois que a população, liderada pelo Ministério Público daquela cidade, encaminhou ofício à chefia da Polícia Civil do Paraná.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, responsável pela delegacia de Bela Vista, não quis comentar a posse do delegado, se limitando a dizer que recebeu ''determinação superior'' para manter o delegado naquela cidade.
Jacovós e outros cinco policiais incluindo um irmão do delegado chegaram a ser denunciados pelo Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O delegado e o irmão por crime de peculato são suspeitos de terem se apropriado e vendido peças de veículos apreendidas na delegacia e os demais por crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público).
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto Abreu de Oliveira que, na época, era o corregedor-geral , nada ainda ficou comprovado contra Jacovós. Segundo ele, foi aberta uma sindicância e hoje ainda há uma investigação sobre o caso. ''Mas até que se prove o contrário, todos são inocentes. E o Ministério Público não nos forneceu provas nenhuma do envolvimento do delegado'', afirmou.
Para o delegado-geral, o pedido da população para que Jacovós ficasse na cidade foi suficiente para mostrar o bom trabalho que ele vem fazendo. ''Recebemos um dossiê com seis páginas assinadas pela promotoria, clubes de serviço, prefeito, entre outras. E não podemos ignorar isso'', afirmou.
Mas Oliveira voltou a afirmar que a chefia não será conivente com policiais que se envolvem em procedimentos ilícitos. ''Ontem (anteontem), o Conselho da Polícia Civil baixou determinação para que todos os policiais que respondem sindicâncias entreguem suas armas e distintivos''.
A Folha tentou falar com o delegado, mas ele havia saído em diligência e, segundo a funcionária Marli, Jacovós não deveria retornar à delegacia ontem.

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