Curitiba Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prenderam, na semana passada, um homem suspeito de aplicar golpes milionários em empresas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o delegado Messias Antônio da Rosa, na última empresa o golpe chegou a R$ 2 milhões. Lamartine Figueiró, 39 anos, apresentado à imprensa somente ontem, foi autuado por estelionato e receptação. Ele está preso temporariamente no Cope.
De acordo com o delegado, a polícia chegou até o suspeito através de denúncias feitas pela diretoria de uma empresa localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Segundo Messias da Rosa, Figueiró procurava empresas com dificuldades financeiras, oferecia capital e, assim, ocupava cargos de alto escalão, assumindo a direção das mesmas. O dinheiro investido, de acordo com o delegado, era proveniente de cheques-viagem internacionais, que, segundo levantamentos da polícia, eram furtados de empresas de correios dos países do Mercosul.
''Como esses cheques demoram de 60 a 90 dias para serem compensados, Figueiró aproveitava o tempo para emitir duplicatas em nome de credores fictícios e descontar os títulos em empresas de factoring'', explicou o delegado.
Com Figueiró foram apreendidos cerca de 13 folhas de cheque furtadas, que seriam descontadas. Messias da Rosa não soube estimar o valor desviado nem o número total de empresas onde atuou, mas garantiu que o mesmo não aplicava golpes pequenos. ''Nós identificamos três empresas, sendo uma aqui (Curitiba) e as outras duas em Piçarras (SC) e Novo Hamburgo (RS).''
Segundo o delegado, numa empresa de calçados em Novo Hamburgo, ele teria emitido cheques no valor de R$ 100 mil, além de fazer compras em nome da empresa. Em Piçarras, em uma empresa de planos odontológicos Figueiró teria passado dois cheques-viagem internacionais como garantia: de US$ 4,3 mil e US$ 3,2 mil. Ainda, de acordo com o delegado, Figueiró montou uma empresa em sociedade com um amigo que também teria passagens na polícia por estelionato , chamada Cartelis Construções Transporte, Importação e Exportação Ltda, que estaria sendo administrada pelo sócio.
A Folha entrou em contato com a advogada de Figueiró, Elisiane Cristina Maluf, mas ela não quis se pronunciar.

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