Já está em liberdade o comerciante suspeito de ter clonado centenas de telefones celulares, preso em Londrina há menos de duas semanas. Ontem, a reportagem da Folha verificou que a loja de aparelhos e acessórios para celular de Juliano Souza Campos, 22 anos, instalada no Shopping Popular (Camelódromo), estava funcionando normalmente. Uma vendedora informava que os telefones habilitados ''estão em falta'', mas que ''devem chegar em 10 dias''.
Campos foi detido e autuado por furto, receptação e estelionato no último dia 6. Na residência dele, no Jardim Interlagos (Zona Leste), a Polícia Civil apreendeu dezenas de celulares - alguns já clonados e prontos para uso -, um laptop (computador portátil) e um detector de rádio-frequência usado para captar sinais dos telefones móveis. Segundo a polícia apurou, o comerciante instalava-se em hotéis próximos a aeroportos de grande movimento, especialmente em capitais, para cometer a fraude.
O delegado de Furtos e Roubos da 10 Subdvisão Policial (SDP), Manoel Ângelo Pelisson, disse que a Justiça autorizou a soltura de Campos antes mesmo de receber o inquérito sobre o caso. De acordo com Pelisson, dentre as várias provas que depõem contra o suspeito estão uma lista com cerca de 10,4 mil números de telefones celulares pertencentes a potenciais vítimas de clonagem. ''Temos indícios de que ele vendia esses números até pela internet, para 'clientes' de todo o País'', afirmou.
No computador de Campos, foram encontradas fotos em que ele aparece segurando uma pistola calibre 45. A polícia está investigando o paradeiro da arma. Segundo o delegado, o suspeito se recusou a prestar qualquer depoimento sobre os crimes pelos quais foi acusado. Três advogados se apresentaram para defendê-lo. Ontem à tarde, Campos esteve na 10 SDP para tentar reaver os celulares apreendidos.
A Folha conversou por telefone com o comerciante, que atendeu à chamada na própria loja. Ele não confirmou nem negou as acusações, mas disse que ''não é bandido'' e que conta apenas com a renda da loja do Camelódromo para sobreviver e sustentar a filha de três meses.

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