Suspeito de balear esposa diz que não se lembra do fato
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
''Estraguei minha vida, a da minha mulher e a da minha filha''. Com essa frase, o guincheiro Roberto Carlos Pereira, 36 anos, resumiu o incidente em que teria baleado a esposa, a assistente administrativa Maria Lúcia Bertola Pereira, 33 anos, no último dia 23, em frente a uma igreja no Jardim Petrópolis (Zona Sul de Londrina). Segundo testemunhas, após disparar contra a mulher, Pereira teria tentado se matar. O crime foi testemunhado por uma das filhas do casal, de oito anos.
Pereira ficou quatro dias internado no Hospital Universitário (HU) e recebeu alta no fim de semana, sendo encaminhado para a carceragem do 2º Distrito Policial (DP). Ontem à tarde, ele prestou depoimento à Polícia Civil e disse que tem memórias confusas sobre o ocorrido. O guincheiro afirmou que, há cerca de um mês, começou a ter várias discussões com Maria Lúcia, e que o casal pensava em separação. Eles estão casados há 17 anos.
Pereira alegou que desconfiava que a esposa estava mantendo um relacionamento com outra pessoa. Há duas semanas, o guincheiro teria visto a mulher com um homem identificado como Alex. ''Eles estavam encostados, em cima da moto dele. Eu os encontrei quando estava trabalhando, na rua, por acaso. Discuti com o cara e chegamos a nos agredir'', relatou.
De acordo com Pereira, ele e Maria Lúcia divergiam sobre a guarda das filhas (a outra filha tem 16 anos) e o destino da residência do casal, localizada na Vila Recreio (Área Central), que o guincheiro pretendia vender para comprar um apartamento. ''Seria para nossas filhas'', afirmou Pereira, que contou que, nos dias anteriores ao incidente, Maria Lúcia estava dormindo na casa da mãe.
Na manhã do crime, Pereira teria ido até a igreja no Jardim Petrópolis com seu Vectra acompanhado da esposa para deixar a filha mais nova na catequese. ''Eu iria levar também a Maria Lúcia para o local onde ela trabalha, que fica a uns 100 metros da igreja'', explicou. Pereira disse que, assim que a menina deixou o carro, Maria Lúcia, sem que houvesse nenhuma discussão, teria pulado para o banco traseiro do Vectra, onde havia um revólver 38. ''Houve uma briga, a gente se empurrou e a arma disparou. Não consigo me lembrar de nada do que aconteceu depois'', alegou.
O delegado José Arnaldo Peron Martins, do 4º DP, afirmou que uma testemunha ocular do crime relatou que Pereira, antes de atirar, estaria tentando forçar a filha a entrar no Vectra. Ainda segundo este testemunho, Pereira teria efetuado um disparo contra Maria Lúcia fora do carro, e em seguida arrastado a esposa para dentro do veículo, onde teria desferido outro tiro. Em seguida, teria tentado se matar - a bala o atingiu no lado direito do rosto, na altura dos olhos.
Peron disse ontem que já foram tomados vários depoimentos dentro do inquérito que investiga o crime. O delegado informou que parentes de Pereira e de Maria Lúcia confirmaram que o casal estava em crise. Um irmão do guincheiro teria afirmado que havia a desconfiança de que a assistente administrativa estaria tendo um caso fora do casamento. Maria Lúcia permanecia internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa na tarde de ontem, consciente e em estado regular. Os pais e a irmã dela não quiseram dar entrevista sobre o assunto e nenhum outro parente foi localizado para comentar o caso.


