Marta Medeiros
De Maringá
O delegado da Polícia Civil de Nossa Senhora das Graças (85 quilômetros ao norte de Maringá), Jonatas Moreira Marques, disse ontem que espera o fim das férias forenses para tentar elucidar a morte de um caminhoneiro ocorrida em março de 1997. O principal suspeito do assassinato, o empresário Adilton da Silva Gonçalves, foi preso na última semana em Cuiabá (MT) e dará depoimento em juízo.
Segundo o delegado, a ossada do caminhoneiro Dionísio Rodrigues Lopes, 46 anos, só foi localizada em maio do ano passado, em um canavial próximo do município. Ele foi morto com dois tiros na cabeça. Lopes era empregado de Gonçalves. A descrição de como o crime aconteceu foi feita ao delegado por três homens acusados de participar de uma quadrilha chefiada por Gonçalves, especializada em assalto de carretas. Os homens foram presos dias depois de a polícia ter localizado a ossada de Lopes.
Eles contaram para o delegado que o empresário matou o caminhoneiro para aplicar o golpe do seguro e da carga. A carreta Volvo, ano 90, dirigida por Lopes, estava carregada de leite em pó da Nestlé, avaliada em mais de R$ 75 mil. ‘‘Gonçalves financiou a carreta em um banco e fez o seguro, mas até hoje não sabemos para onde ela foi levada’’, disse o delegado.
Um dos integrantes da quadrilha, José Saruva, contou ao delegado que o caminhoneiro foi atacado na manhã do dia 5 de março de 1997, na PR-317, próximo do trevo de Mendeslância, distrito de Nossa Senhora das Graças. Saruva apontou Gonçalves como autor dos disparos e contou que Lopes foi levado para uma lavoura de cana-de-açúcar, próxima do trevo. Disse ainda, que dias depois do crime, eles voltaram ao canavial, espalharam os ossos pela lavoura e atearam fogo na tentativa de eliminar o corpo de Lopes.
O delegado disse à Folha, que os ossos foram encontrados mais de um ano depois, por cortadores de cana. Uma pequena carteira, dentro de um pedaço de calça, com anotações e cartões de postos, possibilitaram à polícia localizar a família do caminhoneiro. ‘‘Mesmo com o fogo e o tempo decorrido, a pequena carteira estava intacta, dando início às investigações’’, lembra Marques.
A polícia pretende descobrir agora, além de tentar confirmar Gonçalves como o assassino de Lopes, para onde a carreta foi levada. ‘‘Vamos tentar descobrir também a ligação de Gonçalves com outros assaltos contra caminhões no mesmo período e local onde Lopes foi atacado e depois morto’’, explicou o delegado.

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