Suspeito da morte de Django falta a depoimento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 1997
Adriana De Cunto Londrina 
O delegado Jurandir Gonçalves André, do 3º Distrito Policial de Londrina, espera concluir ainda esta semana o inquérito que investiga a morte de um segurança da fazenda Borborema, em Tamarana, durante conflito com um grupo de sem-terra. Ontem, estava sendo aguardado o depoimento da secretária do Movimento dos Sem-Terra (MST) e de Nivaldo Siqueira, um dos suspeitos de envolvimento no assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, o Django. Eles não foram pela manhã ao 3º DP, localizado no jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. Segundo o delegado, a secretária Geovana (ele não soube informar o nome completo) não tinha sido oficialmente intimada.
Jurandir André diz que, mesmo assim, pretende remeter esta semana o inquérito para a Promotoria Pública. Na opinião do delegado, as investigações já permitem até o pedido de prisão preventiva de alguns dos principais suspeitos de co-autoria no crime, ocorrido no dia 27 de abril, quando seguranças contratados pelos donos da fazenda Borborema, entre eles Django, tentavam retirar as famílias de sem-terra acampados na propriedade.
Dos 22 sem-terra envolvidos no conflito, três estão com pedido de prisão temporária decretada, os irmãos Nelson e Nivaldo Siqueira e Francisco Geraldo Pereira. Os três estão foragidos. O delegado explica que cinco integrantes do MST já foram interrogados e indiciados por co-autoria do homicídio: Josmar Choptian, Alcino Menezes, Oscar Modesto Filho, José Gomes da Silva e Rubens Aparecido da Silveira.
Jurandir André não descarta a possibilidade de um deles ser o autor do disparo que matou Django. Ele lembra que a Polícia Civil ainda está à procura de outras pessoas que participaram do conflito, conhecidos como Indião (cunhado de Nelson e Nivaldo), Cidão e Zé Reis. O delegado adianta que há suspeita de Cidão ser o sem-terra Aparecido Antonio de Oliveira, do MST do Estado de São Paulo, também foragido.
O MST apresentou somente cinco pessoas, afirma Jurandir André. Para concluir o inquérito, ele só espera o laudo do Instituto de Criminalística de Londrina sobre a confirmação de que José Lourenço Barbosa é mesmo o sem-terra Zé Barranco, identificado através das filmagens da TV Londrina. Segundo o delegado, a polícia técnica vai confrontar fotos atuais de Lourenço com as imagens da televisão. Jurandir André acredita que o movimento possa estar tentando ocultar o verdadeiro Zé Barranco para confundir as investigações.
Na opinião da Polícia Civil, o envio do inquérito ao Fórum sem o depoimento dos foragidos não vai dificultar o trabalho da Justiça. O delegado do 3º DP garante que, mesmo após relatar o inquérito, as investigações para tentar localizar os foragidos vão continuar. Jurandir André comenta que nesta semana, depois de relatado o inquérito, poderá pedir a prisão preventiva de pelo menos um dos indiciados.


