Em depoimento iniciado anteontem à tarde e concluído por volta das 8 horas de ontem, Adriano da Silva capturado em uma operação das polícias Civil e Militar do Rio Grande do Sul confessou ser o autor de 12 homicídios de crianças e adolescentes desaparecidos em quatro cidades do interior gaúcho. Apesar disso, a polícia do Paraná se mantém cautelosa ao associá-lo à suspeita de ter sequestrado há mais de 50 dias a menina Luana Oliveira Lopes, de 8 anos, no município de Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina). Segundo a PM de Florestópolis, o irmão da vítima, Diego, 10, teria reconhecido uma foto de Silva como o autor do crime.
Em Lagoa Vermelha (a cerca de 300 km de Porto Alegre), o delegado que chefiou o depoimento de Silva, Celso Rigatti, afirmou que o suspeito negou qualquer envolvimento no caso Luana. ''Já está comprovado a participação dele no assassinato de um adolescente em Sananduva, mas ele garantiu que no Paraná seu único crime é o latrocínio contra um taxista em União da Vitória'', explicou Rigatti, referindo-se à pena de 21 anos de reclusão, da qual Silva havia fugido em 2001.
Anteontem à tarde, o delegado interino da Polícia Civil de Porecatu (cidade que investiga o caso), José Vitor Silva Pinhão, já havia pedido cautela com a associação feita por Diego e dito que o reconhecimento do preso só seria oficializado depois que o menino analisasse a foto junto aos policiais civis. A Folha tentou contato com Pinhão durante toda a tarde de ontem, mas ele não foi localizado. De Porto Alegre, o delegado titular da Delegacia de Capturas, Fábio Mota Lopes, adiantou que não havia recebido ainda nenhum contato do delegado de Porecatu.''Quando isso for feito, aí então será decidido se levamos o Adriano até Porecatu ou se trazemos o menino até aqui'', comentou.
Por sua vez, a delegada-chefe do Serviço de Investigação à Criança Desaparecida (Sicride), Márcia Tavares, foi dura com a ação da PM de Florestópolis no andamento do caso. ''A ação dos policiais não está de acordo com a lei, que determina que a foto do suspeito, ao ser mostrada à vítima ou à testemunha, seja misturada a fotos de pessoas semelhantes a ele. No caso do menino, não deram opção e criança, por natureza, é confusa'', criticou. Segundo a delegada, o reconhecimento oficial só deve ser feito dentro de quatro ou cinco dias, ''até que o garoto se acalme e para que as investigações não sejam novamente atrapalhadas''.
Silva está preso no Presídio de Segurança Máxima de Charqueada (Grande Porto Alegre), após sofrer uma tentativa de linchamento. (Com Agência Folha)

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