A suspeita de novos focos de febre aftosa no Rio Grande do Sul deve influenciar no resultado da reunião de hoje do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Coesa). Os representantes de 32 entidades, entre cooperativas, criadores, sindicatos, governo paranaense e Ministério da Agricultura, se reúnem às 15 horas, em Curitiba, na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. Na pauta, a possibilidade do Paraná receber carne suína de Santa Catarina, o que não está sendo permitido. Caso for confirmado o aparecimento de mais casos da doença nos rebanhos bovinos gaúchos, a tolerância zero deve continuar no Estado. Ontem, o movimento nas 12 barreiras montadas ao longo da divisa com Santa Catarina permanecia normal.
Uma portaria do ministério baixada na sexta-feira garante que carnes bovina sem osso e suína com o carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) entrem no mercado de outros Estados. O Paraná só está aceitando o recebimento de carne bovina maturada e desossada. ‘‘A tendência natural é adequar nossa decisão à portaria do ministério, mas há um risco grande, pois o problema pode ser maior do que já foi notificado’’, disse ontem o diretor-geral da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, Norberto Ortigara. Na semana passada, a febre aftosa atingiu rebanhos bovinos no município de Jóia, no noroeste do Rio Grande do Sul. Ortigara declarou que existe a suspeita de que a doença tenha se alastrado para rebanhos de outros municípios gaúchos. ‘‘Se isso for realmente verdade, pode ser que na reunião do conselho fique mais difícil autorizar a entrada da carne’’, acrescentou.
Outro ponto a ser discutido é a distinção no monitoramento dos mais diferentes tipos de carne. De acordo com Ortigara, a portaria do ministério prevê que para ser comercializada, a carne bovina esteja protegida por vacinas, mas não faz restrições ao rebanho suíno. ‘‘Se a portaria exige sorologia em bovinos, por que não em suínos também?’’, indaga o diretor geral da Seab. Segundo ele, os porcos têm a mesma vulnerabilidade que o gado. ‘‘O suíno também pode encubar o vírus da aftosa’’, comparou. O rigor com que a secretaria trata o monitoramento não resultou em conflitos com os catarinenses, garantiu Ortigara. O diretor diz que o objetivo da reunião de hoje é encontrar formas de ‘‘harmonizar’’ as portarias da Seab e do Ministério da Agricultura, ‘‘sem expor nosso rebanho a riscos’’.
As medidas adotadas pelo Paraná para impedir a entrada de qualquer carregamento de carne suína de Santa Catarina foram baixadas antes da portaria do ministério. As diferentes decisões provocaram a reunião de hoje em Curitiba. ‘‘Não há problema nisso. O que foi preciso era evitar expor o nosso empresário. A gente não quer tumultuar o comércio, mas é preciso evitar o risco’’, justificou. Navios fundeados na Baía de Paranaguá, no litoral do Estado, aguardam autorização para carregar carne bovina de Santa Catarina estocada em caminhões frigoríficos. Nesse caso, conforme Ortigara, o produto deve ser embarcado sem problemas, já que tinha passado por monitoramento anterior ao aparecimento da aftosa no Rio Grande do Sul. ‘‘Concordamos que carne lacrada em frigorífico pode ser embarcada’’.

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