Não bastassem as doenças respiratórias, a época de frio propicia a proliferação de mais um problema: a conjuntivite. Em várias escolas e escritórios, começam a aparecer casos de afastamento devido à doença que ataca os olhos, altamente contagiosa.
O oftalmologista Nelson Eiji Kumata explica que as formas mais comuns da conjuntivite são a alérgica, a bacteriana e a viral, sendo que estas duas últimas são transmissíveis. No caso do paciente alérgico - cuja conjuntivite geralmente não é curada, apenas controlada - a chegada do inverno pode desencadear a doença devido à maior presença de ácaros e outros agentes. Já as bactérias e vírus causadores de conjuntivite aproveitam ambientes fechados para se espalhar com mais facilidade.
Segundo Kumata, os principais sintomas da conjuntivite são vermelhidão nos olhos, presença de secreção amarelada ou branca, fotofobia, dor, lacrimejamento e sensação de corpo estranho. Ele alerta que a realização de um exame é fundamental para se receitar o tratamento correto para cada tipo de conjuntivite. ''Muitas vezes o paciente procura um posto de saúde ou mesmo uma farmácia, não é atendido por um oftalmologista e acaba tratando uma conjuntivite viral como se fosse bacteriana. Ele pode piorar ou até ficar com sequelas'', destaca.
O exame quase sempre é clínico, sem necessidade de colher amostras. Os oftalmologistas utilizam microscópios e colírios corantes para um exame mais apurado. Na maioria dos casos, o tratamento da conjuntivite é simples e rápido, à base de colírios específicos. Entretanto, a pessoa infectada precisa ser afastada do local de trabalho ou estudo para não contaminar outras pessoas. Foi o caso da jornalista Miriam Oliveira de Araújo, que parou de trabalhar por sete dias.
''Peguei a doença do meu sobrinho, que por sua vez pegou na escolinha. A mãe e a avó dele também foram contagiadas. Os primeiros quatro dias foram os mais incômodos, sentia como se os olhos estivessem arenosos. Depois só ficou vermelho'', conta. Dentro de casa, diz Kumata, os principais cuidados são evitar contato direto com o paciente, separar toalhas e sempre lavar as mãos. É importante também manter qualquer local arejado.
O oftalmologista lembra que, no ano passado, houve um surto de conjuntivite em Londrina no inverno, que pode se repetir. Em caso de suspeita, Kumata recomenda que o paciente procure um oftalmologista. ''Um tratamento inadequado pode provocar lesões permanentes na córnea e diminuição da visão'', conclui.
De acordo com a gerente municipal de Unidades de Sa© úde, Rosângela Libanori, pessoas com suspeita de conjuntivite podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O atendimento é feito por um clínico-geral e, em casos mais graves, crônicos ou persistentes, o paciente pode ser encaminhado para consulta de urgência em um hospital com convênio público.

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