Suspeita de bomba mobiliza a polícia
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 1996
Lucinéia Parra<bR> Sucursal de Maringá 
Uma suspeita de bomba dentro do Mercadorama, um dos maiores supermercados de Maringá, mobilizou a Polícia Militar e peritos da Polícia Civil, ontem à tarde. Uma garrafa de vidro transparente de 18 litros, foi deixada ao lado da porta entre o mercado e o shopping. A garrafa estava lacrada com parafina e tinha um pavio. No interior, havia uma carta lacrada.
Seguranças do mercado encontraram a garrafa e acionaram a polícia. O material foi levado para o quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, sob suspeita de um atentado com carta-bomba. Três peritos da Polícia Civil foram chamados para explodir a garrafa.
Os policiais que examinaram o recipiente deixado no mercado suspeitavam que a carta poderia ser o embrulho do material explosivo ou que a garrafa pudesse conter algum tipo de gás.
Depois de uma análise superficial, os peritos orientaram os policiais a estourar a garrafa a tiros. Policiais estouraram a garrafa com três tiros disparados a longa distância, no pátio do quartel.
A suspeita de atentado à bomba foi desfeita com a leitura da carta. O remetente anônimo se diz uma pessoa de paz e pede ajuda para comprar um carro e uma televisão.
A carta foi escrita anteontem, em Nossa Senhora das Graças (56 quilômetros de Maringá). O remetente deixa algumas pistas para sua identificação ao relatar que está enfrentando dificuldades no campo.
Ele afirma ainda que conheceu uma equipe de reportagem da TV Cultura de Maringá (afiliada à Rede Paranaense, Globo), em Colorado. Ele diz na carta que fez parte de uma reportagem da televisão, indicando inclusive o assunto. Estas informações deverão facilitar o trabalho da Polícia na identificação do autor da brincadeira.
O autor conta que tem um sítio e uma filha casada. Diz ser cliente do Mercadorama e afirma que o objetivo de sua ação foi chamar a atenção. O autor sabia que o objeto deixado no mercado poderia levantar suspeitas de atentado. Do lado de fora da garrafa havia um bilhete pedindo calma.
O tenente da Polícia Militar José Renato Nildemberg, disse que a brincadeira assustou. Tivemos todo cuidado porque realmente poderia ser um atentado que colocaria em risco a vida de muitas pessoas.
Segundo um funcionário do Mercadorama, que não quis se identificar, o movimento ontem foi intenso devido ao pagamento do 13º salário. Qualquer explosão no local onde foi colocada a garrafa deixaria clientes e funcionários feridos, disse Nildemberg.


