SUS perde 15% dos leitos nos hospitais
Da Sucursal
Albari RosaLonga esperaMilitina Manoel Marcelino em frente ao PA do HC, em Curitiba; hospital é a última chance de atendimento pelo SUSO Sistema Único de Saúde (SUS) do Paraná perdeu nos últimos seis anos cerca de cinco mil leitos em hospitais públicos, particulares e filantrópicos. De 1990 até o final do ano passado, houve redução de 15% no número de leitos ofertados à população atendida pelo SUS. A situação deve piorar nos próximos meses, segundo a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Paraná (Fehospar).
De acordo com a Fehospar, no início da década de 90, havia cerca de 32 mil leitos disponíveis a pacientes do SUS. Em julho do ano passado, os 566 hospitais públicos, privados e filantrópicos credenciados ao SUS tinham 26.014 leitos, conforme estatística mais recente da Secretaria Estadual da Saúde.
A baixa remuneração da tabela do SUS é a principal causa da redução no número de leitos. Com os valores defasados, os hospitais estão mudando o perfil dos clientes, investindo no atendimento a conveniados e particulares, explica o presidente da Fehospar, José Francisco Schiavon.
As enfermarias e UTIs, antes reservadas ao SUS, estão se transformando em apartamentos para atender pacientes conveniados, afirma. O presidente da Fehospar admite que as pessoas pobres terão cada vez mais dificuldade de acesso à saúde. Segundo ele, a tendência é os hospitais se afastarem do SUS. Hoje, quem tem o mínimo de condição financeira aderiu aos convênios porque percebeu que é o único jeito de ser atendido, afirma.
A situação, diz, poderia ficar menos pior se o Ministério da Saúde voltasse a pagar aos estabelecimentos de saúde o abono de 25% sobre o faturamento. O abono foi pago de meados de 1995 até abril de 1996. Segundo a Secretaria da Saúde, o MS deve cerca de R$ 34 milhões referentes ao abono aos 566 hospitais paranaenses.
O presidente da Associação Médica do Paraná, João Carlos Simões, diz que a realidade da medicina hoje é o atendimento aos planos de saúde. A tabela do SUS está defasada e os médicos credenciados trabalham em três locais para ganhar R$ 1,2 mil. Os hospitais querem um aumento médio de 60% na tabela do SUS.
Simões reconhece que vários médicos cobram por fora para receber mais do SUS. A associação não tem registro sobre o número de médicos processados por irregularidades.
FilasCom a redução do número de leitos, a população de baixa renda tem cada vez menos opção. O resultado é a superlotação dos hospitais públicos e horas de espera na fila da consulta.
Os pacientes, graves ou não, rejeitados pelos hospitais do interior e Curitiba, acabam batendo na porta do Hospital de Clínicas (HC) para receber atendimento gratuito. Aqui é a última porta aberta, temos de atender a todos, diz o diretor geral do HC, Mário Sérgio Cerci.
Segundo Cerci, o SUS deve ao HC cerca de R$ 7,5 milhões em atendimentos. Para manter o hospital, a direção não paga os fornecedores. Já acumulamos uma dívida de R$ 7,5 milhões com os fornecedores.





