SUS gasta R$ 13 bi com vítimas de trânsito
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domingo, 31 de maio de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na rotina dos profissionais de saúde do Pronto-Socorro do Hospital do Trabalhador (HT), única instituição que atende trauma em Curitiba exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os recursos disponíveis são limitados. ''Temos que atender a uma demanda que só cresce. É difícil acompanhar'', conta o chefe do PS, Rached Hajar Traya.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um terço do orçamento do SUS em todo o País é gasto no atendimento a vítimas da violência no trânsito. ''São R$ 13 bilhões por ano gastos com acidentes'', destaca o pesquisador Marcelo Piancastelli da Siqueira.
''Não tem como acompanhar o custo disso'', complementa Traya. ''Mesmo que exista dinheiro, a expansão da estrutura física dos hospitais tem limite. Não dá para ampliar indefinidamente'', aponta Traya. A convite dele, a reportagem da FOLHA acompanhou uma parte do rotina do atendimento a vítimas de traumas realizado no hospital. Em média, a instituição atende 220 pessoas por dia, das quais em torno de 40 são vítimas de acidentes de trânsito.
No Hospital do Trabalhador - que divide o atendimento de traumas de Curitiba e região metropolitana com o Evangélico e o Cajuru - nos três primeiros meses do ano foram 2.648 atendimentos de trânsito, cerca de 13,48% do total. A maior parte é em decorrência de colisões (6,47%). Em segundo lugar, estão as quedas de veículos (3,64%) seguido dos atropelamentos (2,23%), capotamentos (0,33%) e choques contra objetos (0,38%).
Uma equipe de dois ortopedistas, dois cirurgiões, um neurologista, um clínico geral, um pediatra e anestesista trabalha para atender as vítimas encaminhadas para o Trabalhador. ''Os traumas na cabeça e no tronco são os mais comuns'', aponta. Mais do que os números, os custos dessa ''epidemia'' impressionam.
Em levantamento realizado em 2006, o Ipea mostrou que o custo de um acidente de trânsito é de R$ 1.040,00 quando a vítima sai ilesa. O valor cresce à medida em que a gravidade da colisão aumenta. Uma pessoa com ferimentos leves tem o custo de R$ 37 mil, enquanto que um grave chega a custar para o País R$ 76 mil. Quando a vítima morre em decorrência do acidente, o prejuízo é de R$ 144 mil.
Esses números incluem, além do atendimento médico-hospitalar, o valor das horas de trabalho perdidas, os custos com danos materiais, com indenizações previdenciárias e com processos judiciais nos 30 dias após o acidente. ''Do total, 20% são de custos hospitalares. O alto custo desse atendimento é certamente uma das mazelas que o País precisa resolver'', alerta Piancastelli.
No dia a dia do PS de Traya, isso se traduz em uma equipe de ortopedistas, cirurgiões e neurologistas sempre ocupados. Durante a visita da reportagem ao hospital, em apenas uma hora, três motociclistas foram atendidos. ''Como as motos estão se tornando uma ferramenta de trabalho e veículo de transporte mais comuns, o número de ocorrências envolvendo motociclistas também cresceu'', explica.


