Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O Ministério da Saúde ainda não liberou recursos para financiar o novo procedimento incluído na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), o reimplante de um desfibrilador cardioversor, autorizado pela portaria nº 53 e publicada no dia 15 de dezembro no Diário Oficial do União. A Folha apurou que o preço de tabela da cirurgia é de cerca de R$ 22 mil, sem contar gastos extras, que deverão ser bancados pelo paciente.
Em reportagem publicada no dia 14 deste mês, a Folha mostrou o drama de Erquília Aparecida da Rocha, 55 anos, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), que fez o implante cardíaco em 1996. Na época, o equipamento, importado, estava em testes. Cerca de 50 pessoas fizeram a cirurgia gratuitamente e hoje voltam a correr risco de vida se não realizarem o reimplante.
O aparelho tem bateria não-recarregável e pelas estimativas da equipe médica do Instituto Dante Pazzanene de Cardiologia, na capital paulista (onde se trata a dona de casa), teria sua vida útil esgotada neste ano. O desfibrilador cardioversor implantável evita paradas cardíacas relâmpagos (que duram em média dois segundos) e constantes, que provocam desmaios e quedas em portadores do mal de Chagas.
Erquília está apreensiva com seu estado de saúde desde que exames feitos em outubro deram conta que a carga do seu aparelho estava ‘‘quase no fim’’, como lhe revelou a médica da equipe de cardiologista que estuda seu caso. ‘‘Agora vivo assim, sem saber até quando não vou sentir novamente os sintomas do meu distúrbio’’, diz a dona de casa, que passa os dias se dedicando a trabalhos manuais como crochê, bordado e outras peças artesanais, que lhe rendem dinheiro para a compra de medicamentos.
Ela aguarda com ansiedade que verbas para cirurgias mais caras sejam liberadas em breve pelo Ministério da Saúde. Enquanto isso, redobra cuidados para evitar entrar em campos magnéticos que desgastem com mais facilidade a bateria de seu desfibrilador conversor. A dona de casa fica longe de telefones celulares, fornos de microondas, transformadores da rede elétrica e portas magnéticas. Erquília quer antecipar a próxima consulta – marcada para 20 de marçoáá – e tentar agendar o quanto antes sua cirurgia em São Paulo.

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