SUS atrasa repasse a hospitais
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Osmani Costa 
Diretores do Sindicato dos Hospitais de Londrina (SHL) estiveram reunidos, ontem à tarde, na sede da entidade para debater possíveis soluções para a grave crise financeira que atinge o setor há alguns anos. Até ontem, não havia chegado ao Fundo Municipal de Saúde os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) relativos a dezembro, o que deve obrigar os hospitais a atrasar, mais uma vez, o pagamento dos salários de cerca de 2.500 funcionários.
Em dezembro, os recursos de novembro - cerca de R$ 3,5 milhões - atrasaram e os funcionários, que deveriam ter recebido no quinto dia útil, receberam no dia 15. Para o pagamento do 13º salário, os hospitais tiveram que recorrer a empréstimos bancários.
Segundo o presidente do SHL, Fahd Haddad, o SUS também não pagou cerca de R$ 200 mil relativos aos serviços de alta complexidade prestados pelo Evangélico e Santa Casa em novembro e dezembro. Os diretores de hospitais que participaram da reunião reclamaram também dos baixos valores pagos pelo SUS para os procedimentos médicos.
Em consequência da diferença entre o que os hospitais dizem gastar e receber do SUS, o déficit tem se acumulado mensalmente e pode levar à desativação de alguns setores. Segundo Haddad, os hospitais representados pelo sindicato - HE, Santa Casa, Ortopédico, Instituto do Câncer - contam com mais de mil médicos e são responsáveis por cerca de 75% dos atendimentos do SUS na cidade.
Alguns hospitais estão com até cinco anos de contas de luz, água e telefone atrasadas e sob ameaça de corte dos serviços. A situação tende a piorar, porque a saúde pública terá, neste ano, R$ 1 bilhão a menos no orçamento do governo Federal, afirmou Haddad. A Folha não conseguiu localizar o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, na tarde de ontem.


