Surto preocupa Costa Oeste
Flávio Moura
Especial para a Folha
Arquivo FolhaGrupo de riscoOs pescadores amadores e profissionais estão mais expostos à doença pelo contato direto com a águaQuatro casos em Foz do Iguaçu, sete em Santa Helena, um em Santa Terezinha de Itaipu, um em Guaíra e um em Terra Roxa. O último levantamento da Fundação Nacional de Saúde (FNS) registrou 13 casos confirmados de malária na Costa Oeste - única região do Estado ameaçada pelo surto, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.
Na região, a maioria dos infectados são pescadores que trabalham muito tempo em contato com a água. A malária é transmitida pela picada do mosquito Anapholis darlingi que vive nas margens de lagos e rios. O atual surto é do vívax, o tipo menos grave da doença.
‘‘A presença da malária nos municípios banhados pelo Lago de Itaipu é endêmica’’, explica o supervisor de campo da FNS em Foz do Iguaçu, Mário Pilleco. Os casos se concentram nos meses de março, abril e maio. ‘‘A partir de junho, o frio tira o mosquito e o pescador da água’’, lembra Pilleco. Até a formação do Lago de Itaipu em 1982, a malária estava erradicada na região. Desde 1984, entretanto, o Extremo-Oeste voltou a registrar casos com regularidade. O pior ano foi 1989, quando 1.067 pessoas foram infectadas.
Estudos da FNS apontam o Paraná como Estado ‘‘importador’’ da doença. ‘‘Nas festas de fim-de-ano e nas férias de verão, a região recebe um significativo fluxo de visitantes que vivem na região amazônica, área de alta incidência da doença’’, explica o supervisor de campo. O ciclo é alimentado com a vinda destas pessoas que não sabem que são portadoras do plasmódio. O mosquito anofelino se contamina com a picada nestes visistantes portadores e transmite para outra pessoa da região, até então, sem o plasmódio. ‘‘É por isso que a endemia persiste na região’’, conclui Pilleco.
Segundo a FNS, a população ribeirinha do lago recebe visitas periódicas dos agentes de saúde que orientam as famílias a fazer o exame médico logo que apresentarem os primeiros sintomas: febre, dor de cabeça, dor nas articulações e vômitos. Além disso, as casas são dedetizadas e recebem folhetos informativos.

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