A dificuldade para diagnosticar a sarna norueguesa causou um surto da doença na Santa Casa de Londrina. Segundo informações da médica responsável pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da instituição, Claúdia Carrilho, quando o primeiro caso chegou ao Pronto Socorro, no dia 3 de março, os médicos pensaram em várias doenças que atingem a pele. A confirmação de sarna norueguesa aconteceu 11 dias após o internamento, quando saiu o resultado de um exame de biópsia.
Após a identificação, todos os funcionários que tiveram contato com a paciente foram investigados. No total, 10 enfermeiros, seis pessoas da limpeza e duas da nutrição foram afastados do serviço por apresentarem os sintomas, que são coceira, regiões avermelhadas e lesões que podem apresentar uma crosta. As áreas preferenciais são punhos, axilas, órgãos genitais (nos homens) e perto do umbigo.
Outros dois pacientes apresentaram a doença uma senhora internada no dia 4 de março e um paciente que passou pelo Pronto Socorro na semana da internação da primeira doente. O primeiro e o último caso foram tratados. A segunda vítima faleceu, segundo a médica, por outros problemas de saúde. ''Quando temos alguma doença infecciosa isolamos o paciente, mas não temos estrutura para isolar todos os suspeitos'', afirmou a médica.
A sarna norueguesa é causada pelo ácaro ''Sarcoptes sacabiei'', o mesmo da sarna comum, porém apresenta quantidades maiores de parasitas que se espalham pelo corpo todo. O surgimento da doença está relacionado a hábitos de higiene e é comum em locais onde há aglomeração de pessoas. A transmissão ocorre pelo contato direto com o doente, pela roupa de cama e por relações sexuais. As complicações podem ser infecções secundárias causadas por bactérias, e que dependem da sistema imunológico da pessoa.
O tratamento é feito conforme orientação médica. ''Após 24 horas da medicação não há mais riscos de transmissão. Por isso, a maioria dos funcionários já está trabalhando'', informou Cláudia. Como o período de incubação do parasita é de uma a seis semanas, pode ser que alguns funcionários ainda apresentem os sintomas. O hospital garante, porém, que não há mais riscos de epidemia.

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