Surto de sarampo está sob controle
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Adriana Ribeiro 
Depois da polêmica que colocou à prova a eficácia da Campanha contra o Sarampo, deflagrada em Curitiba e oito municípios da Região Metropolitana, o trabalho desenvolvido para conter os casos da doença começa a surtir efeito. A informação é do secretário da Saúde de Curitiba, Luciano Ducci, que afirma que entre segunda-feira e ontem, nenhum caso suspeito de sarampo foi notificado na cidade.
Já estamos tendo uma redução de casos e isso é resultado da campanha, garante o secretário. Os efeitos da vacina tríplice viral áá- contra sarampo, caxumba e rubéola - são verificados normalmente entre 10 e 15 dias depois da aplicação. A redução pode ser analisada através de uma comparação com a semana passada, quando a secretaria havia notificado nove casos suspeitos de sarampo.
O número é bem menor do que o que vinha sendo registrado nas semanas anteriores, quando cerca de 30 a 40 pessoas procuravam os postos médicos com os sintomas da doença, a cada semana. Estávamos indo para uma franca epidemia. Por isso, realizamos a campanha, diz. Para Ducci, as reações adversas compensam, depois que começam a aparecer os resultados.
O secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, também ressalta que as reações não podem ser comparadas à gravidade do contágio pelo sarampo, que chega a matar. O desconhecimento sobre as reais implicações da vacina não pode impedir o Paraná de eliminar a doença, afirma. Segundo ele, as reações registradas até o momento eram esperadas e nada têm a ver com a qualidade do medicamento utilizado. A Secretaria de Estado da Saúde informa que a vacina tríplice viral é produzida pelo Instituto Serum da Índia e já vinha sendo usada na vacinação de rotina de crianças desde fevereiro do ano passado.
As reações ao medicamento levaram várias pessoas para os hospitais de Curitiba. Nos nove municípios foram registrados 717 casos, principalmente de caxumbinha. Na capital, nove pessoas apresentaram meningite viral acéptica. Um dos pacientes chegou a entrar em coma. A gravidade dos casos fez com que o Ministério Público intaurasse um processo administrativo e solicitasse às secretarias municipal e estadual da Saúde informações sobre o que aconteceu. O promotor Ivonei Sfoggia, da Promotoria de Defesa da Saúde Pública, diz que elas terão cinco dias para encaminhar os dados. Quero apenas esclarecer a população e descobrir se houve negligência, explica. Ontem, as duas secretariasestavam trabalhando para responder ao MP.


