Surto de rotavírus assusta Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Um grande número de crianças com diarréia e vômito levantaram a suspeita de um surto de enterovirose, conhecido como rotavírus, em Londrina. Na semana passada, 141 crianças atendidas no Pronto Atendimento Infantil (PAI) apresentavam esses sintomas. Postos de saúde e clínicas particulares também atenderam crianças com suspeita de rotavírus. A Secretaria Municipal da Saúde acredita que cerca de 150 crianças estejam com o vírus na cidade. O pediatra José Walter Dias, do PAI, afirma que 60% das consultas realizadas são de crianças com os sintomas da enterovirose.
A doença atinge principalmente crianças de até cinco anos. O pediatra explica que ela pode passar por quatro etapas. Na primeira, que corresponde à maioria dos casos, a criança é hidratada em casa sem maiores complicações. Na sequência, pode ser necessário fazer uma consulta médica e indicar a hidratação oral (sorinho). No terceiro estágio, a criança precisa passar por uma observação hospitalar no pronto-socorro por cerca de 12 horas. Só quando a enterovirose atinge a última etapa é que a internação hospitalar se faz necessária. Segundo José Walter, os casos de óbito por rotavírus são raros e a causa da morte é a desidratação. Os sintomas da doença costumam desaparecem entre três e sete dias.
A transmissão principal do Rota-vírus é por via fecal-oral, o que faz das mãos o principal foco de contágio. José Walter alerta que ''o grande segredo da prevenção é lavar as mãos''. A gerente de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, médica Josemari Arruda Campos, complementa: ''Se a criança evacua e não lava bem as mãos ela pode passar para outras crianças. Se a creche e as escolas não fazem uma boa higiene, criam um ciclo de infecção''.
Sobre os cuidados que se deve ter com a criança que está com o rotavírus, o pediatra enumera: ''Fazer uma dieta com bastante líquido e aos poucos introduzir alimentos sólidos; controlar rigorosamente a febre com antitérmico e banho; evitar aglomerados e o mais importante, não dar antibiótico sem autorização médica''. Para a confirmação da suspeita do surto de rotavírus, a Secretaria de Saúde vai encaminhar amostras das fezes de algumas crianças para o laboratório Lacen, em Curitiba.
Josemari Arruda Campos lembra que a prevenção do rotavírus serve também para a meningite viral, que também teve aumento no número de casos. ''Nós tínhamos um limite de oito casos por semana de meningite viral e desde o fim de junho começamos a ter 11, 12, até 15 casos por semana. Mas ainda não é motivo para alarde'', conta. Os sintomas da meningite são febre, vômito, dor de cabeça em crianças maiores, irritabilidade em crianças menores e pode ocorrer diarréia. Josemari afirma que as escolas e creches já receberam orientações de prevenção da Secretaria Municipal de Saúde para evitar uma epidemia mais grave de meningite viral.


